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O choro é a linguagem universal dos bebés, é através dele que eles exprimem as suas necessidades, sentimentos e sensações. No entanto, apesar de ser uma forma normal de comunicação do bebé, é um dos problemas que mais frequentemente preocupa os pais. Nem sempre é fácil determinar a causa do choro e saber como acalmá-lo, mas geralmente é um assunto mais fácil de resolver do que, á partida possa parecer. Por detrás do choro do bebé encontra-se sempre uma necessidade ou um desejo insatisfeito. Ele chora para que lhe dêem aquilo que não pode obter por si só ou porque algo o incomoda, mas também chora quando precisa de descarregar tensões acumuladas. Decifrar o choro é um desafio que mistura conhecimento, intuição, percepção e muita aprendizagem por parte dos pais.

Com o passar do tempo os pais vão aprendendo e descobrindo que o seu bebé chora de diferentes modos, tons e sonoridades, conforme aquilo que quer transmitir. O choro pode ter como origem causas físicas (fome, estar sujo ou molhado, frio ou calor excessivo, roupa desconfortável, fadiga, sono, excesso de estímulos, dificuldade em estabelecer autocontrolo), causas emocionais (insegurança, falta de atenção, exigir a presença dos pais, pedido de consolo/mimo) e causas patológicas (dor, síndrome de privação (mãe toxicodependente), cólicas/dificuldade nas dejecções, associada a outros sinais de doença como febre/hipotermia, gemido, dificuldade/recusa alimentar, vómitos/diarreia, dificuldade respiratória, prostração/irritabilidade). Entre todas estas causas encontram-se as “famosascólicas do lactente que serão abordadas na minha próxima crónica.


O que fazer?


A primeira coisa a fazer é não perder a cabeça, por muito que custe passar uma noite inteira a ouvir um bebé a chorar. Pois, eu sei que isto é mais fácil de dizer do que de fazer, até porque o choro torna-se particularmente irritante e pouco tolerável, mas há que manter a calma…Primeiro convém sempre ver se o bebé não está a chorar por algo que lhe podemos dar ou fazer, ou seja, porque está com fome, frio, calor excessivo, com a fralda muito suja, sede, desconforto. Lembre que o choro também pode ser motivado por ele sentir um ambiente de stresse ou pessoas inseguras, muita confusão ou ambiente disrítmico - sensação de insegurança, ou por se sentir cansado e com overdose de estímulos. É importante que os pais respondam ao choro com uma resposta pronta, mas comedida, assim o bebé sente que o seu pedido de ajuda foi compreendido e mereceu a uma resposta. Isto irá contribuir para a sua auto-estima, proporcionando-lhe assim mais segurança e tranquilidade. Na maior parte das vezes, após serem verificadas as causas físicas acima referidas, o choro acalma e cede quando confortamos o bebé. Se mesmo assim o choro persistir, mais tempo do que o habitual e se tornar incontrolável ou for acompanhado de sinais clínicos de doença, o bebé deve ser o mais depressa possível encaminhado para o médico assistente/urgência hospitalar, para despiste de causas médicas ou cirúrgicas que sejam causadoras do choro. Apesar de todo o esforço para os entender e consolar, há “bebés difíceis” o que leva os pais a ficarem cansados e, por vezes desesperados, estabelecendo-se um ciclo vicioso entre o choro persistente da criança e a ansiedade, o cansaço e o desespero dos pais. Nestas situações os pais devem procurar o apoio de outros familiares e amigos, tentar descontrai-se, descansar quando o bebé também está a dormir, falar com outros pais com problemas semelhantes.


Para finalizar, gostaria de lembrar, embora só sirva para conforto moral, que este problema acontece a uma grande quantidade de casais. E, se por um lado a paciência quase se esgota (quase!), as semanas e os meses passam rapidamente e não tarda nada os maus momentos terão passado e ficarão as recordações para contar aos amigos de quando o vosso filho chorava “que nem um desalmado”…

Publicado na edição de 6.04.2011 do Jornal Expresso do Ave