Finalmente o bebé tão desejado vai para casa. Um mundo de novas aprendizagens e mudanças aproxima-se. Na maternidade, o tempo passou rapidamente e nem sempre os ensinamentos transmitidos pelos profissionais de saúde foram aprendidos.
 

O nascimento de um filho causa grandes alterações, quer a nível dos afetos, quer a nível da rotina diária, pois a família passa a ter mais um elemento.

Os pais, vão passar a regular-se pelos sinais e reacções do filho que pode precisar de mudar a fralda ou de comer a qualquer hora do dia ou da noite. Por sua vez, também precisam de saber como comunicar e interpretar o bebé, para assim o poderem ajudar no seu processo de desenvolvimento. A família vai ter de se ajustar ao novo elemento. Tal como nós, também os bebés são únicos e por isso é muito importante que os pais conheçam o seu bebé.

Chegados a casa, livres de todo o ambiente hospitalar, mas também de certa forma órfãos desse apoio, chegam o cansaço, as duvidas, as dificuldades e a ansiedade.

E agora o que faço ao bebé? Devo dar-lhe banho todos os dias? Como devo cuidar do umbigo? Será que o bebé pode sair de casa? E será que pode ter visitas? O que fazer quando tem cólicas? É preciso dar-lhe água? Devo pô-lo sempre a arrotar depois de mamar? Estas e outras dúvidas surgem, com bastante frequência, na cabeça dos pais. Se calhar, dava jeito que tivesse um manual de instruções…

Por outro lado quando algo corre mal, quer durante ou após o parto, e é necessário que o bebé fique mais uns dias no Hospital, a preocupação e a angústia instala-se nos pais. O bebé é internado numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN), onde tudo é desconhecido e assustador para os pais. Provavelmente, irão encontrá-lo numa incubadora com tubos e fios colados e rodeado de máquinas estranhas que emitem alarmes, beeps e outros barulhos estranhos. Muitas vezes, os pais associam a gravidade do estado do seu bebé á quantidade de tubos e fios que os envolvem, o que nem sempre corresponde a verdade. Passado o momento do impacto causado pela primeira visita, e após a explicação por parte dos profissionais de saúde, do estado do bebé, bem como da finalidade de cada tubo ou instrumento que o envolve, os pais tendem a ficar mais confiantes. Á medida que os dias vão passando, os pais vão-se sentindo cada ver mais confiantes e integrados nos cuidados.

O facto de o bebé necessitar de ficar alguns dias internado, não tem só aspectos negativos, pois também serve para que progressivamente e ao longo do período de internamento, os pais aprendam a cuidar do seu bebé. E, aqui quando digo pais, refiro-me á mãe e também ao pai que tal como a mãe, vai aprender a dar o banho ao bebé, a mudar-lhe a fralda e a dar-lhe o biberão ou a ajudar a mãe na amamentação. É claro que por vezes, não é fácil envolver o pai nos cuidados ao bebé, mas após alguma insistência, gradualmente eles lá vão ajudando, e depois é vê-los todos orgulhosos porque afinal também são capazes de cuidar do bebé. Terminado o período de internamento, o bebé regressa a casa, mas apesar de os pais já saberem cuidar do bebé, sentem a falta do apoio que tinham no Hospital.

A primeira noite (e as próximas), vão ser passada com um olho aberto e o outro fechado. Será que ele está bem? Será que tem frio? Será que respira? Haverá momentos maus e momentos bons, mesmo excelentes. Tristezas, dúvidas e alívios. Seja como for, com maior ou menor dificuldade, e pondo em prática os nossos conhecimentos, tudo é possível de ser ultrapassado. A vida não pára e, amanhã será um novo dia.

Ser pais é talvez o projecto que mais nos realiza, mais que qualquer trabalho, escrita de um livro, realização de uma escultura ou a construção de uma catedral. Um filho é a nossa continuação, a hipótese de sermos lembrados durante mais tempo.
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Publicado na edição de 19.01.2011 do Jornal Expresso do Ave

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