Os olhos, ouvidos e o nariz são zonas do corpo do bebé que merecem especial atenção. Os olhos são órgãos muito delicados e que exigem cuidados especiais. Devem ser limpos com soro fisiológico e para isso deve utilizar compressas esterilizadas macias (uma para cada olho). O movimento de lavagem deve ser no sentido de dentro para fora, ou seja, do canto nasal para a orelha, num movimento único. É muito fácil um bebé desenvolver uma conjuntivite (inflamação da conjuntiva ocular, membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular - o branco dos olhos - e o interior das pálpebras), dado que o canal lacrimal, que se encontra no canto nasal do olho e drena as lágrimas e as secreções até ao nariz, é pequeno e entope com alguma frequência. Por outro lado, alguns bebés nascem com um aperto fisiológico do canal lacrimal (dacriostenose) e devido a isso, têm conjuntivites frequentes. Neste caso e se as conjuntivites forem frequentes e não melhorarem terá que procurar a ajuda de um Oftalmologista.

 

O ouvido é um sistema extremamente complexo, o primeiro dos cinco sentidos que se desenvolve no feto e que lhe permite o primeiro contacto com o mundo. Há um ditado popular que diz que “não se deve pôr nada nos ouvidos que seja mais pequeno que… um cotovelo”. A utilização de cotonetes e outros objectos semelhantes constituem um risco porque estes não limpam, mas sim empurram a cera e compactam-na, formando rolhões espessos e duros que são difíceis de remover e que podem causar a oclusão do canal auditivo. Por outro lado, existe também o risco de, num movimento mais brusco poder furar-se o tímpano ou magoar-se o canal auditivo. A utilização dos aspiradores de secreções também pode não ser uma boa escolha pois além de provocarem dor, podem lesar o tímpano, se a pressão for demasiada. A cera que o canal auditivo externo produz é um óptimo mecanismo de defesa, e ajuda a proteger o ouvido médio e interno das infecções externas. Ao contrário do que possa parecer ter cera não é sinónimo de falta de higiene. A cera é, além de um mecanismo de limpeza, um sinal de que o canal auditivo está a fazer bem uma das suas funções, que é manter-se permeável e limpo para que o som chegue bem à membrana do tímpano. A água que durante o banho possa entrar no ouvido do bebé também acaba por sair naturalmente. Quando muito, poder-se-á limpar a parte de fora do ouvido (a orelha e pavilhão auditivo) mas com muito cuidado para não causar lesões. A cera geralmente tem um aspecto amarelado e pegajoso mas se notar que apresenta outra cor, com aspecto viscoso e cheiro fétido poderá tratar-se de uma otite e aí deverá procurar ajuda médica.

 

O nariz é um órgão muito vascularizado porque uma das suas funções é assegurar, mesmo nos dias mais frios, o aquecimento do ar que por ele passa. As paredes do nariz são constituídas por ossos, os cornetos, que são uns autênticos aquecedores de resistência. É devido a isso que quando fazemos um traumatismo nasal, mesmo que este seja pequeno, sangramos logo e o nariz incha. O nariz do bebé é particularmente sensível e, á nascença, vem preparado para um ar que não é o nosso (um ar sem poluição, sem ares condicionados e aquecimentos, com temperaturas e humidades naturais,…). Devido a isso, até se adaptar, fica inflamado e com secreções. Todos os bebés passam por isto, embora uns mais do que outros. Deve ter muito cuidado com a higiene do nariz. Tenha em atenção que se se magoarem as narinas, o bebé passará a respirar pior, além de se “encher” de ar quando mama, aumentando os soluços e as cólicas. Para limpar o nariz deve utilizar soro fisiológico para lubrificar e amolecer as secreções e, de seguida, limpar aquelas secreções que estão mesmo à beirinha, com a ajuda da ponta de uma toalha macia ou de um cotonete, mas sem o introduzir no nariz.

 

Publicado na ediçao de 22.06.2011 do Jornal Expresso do Ave