Nesta secção pode ler as minhas crónicas sobre Puericultura publicadas quinzenalmente no Jornal Expresso do Ave. Para visualizar cada uma das crónicas clique sobre o titulo no sub-menu da esquerda.

SER PAIS...

Não há receitas, nem manuais, que revelem ou ensinem a arte de ser bom pai ou boa mãe. Mas o bom senso, uma boa dose de criatividade, alguma intuição, muito amor e respeito pela personalidade de cada criança pode ser meio caminho andado para uma boa relação entre pais e filhos. Actualmente, a tendência é para as famílias terem cada vez menos crianças e, para muitos casais, o primeiro bebé com quem vão conviver é o primeiro filho. Aí surge a insegurança na capacidade de ser mãe ou pai. Um filho é um projecto de duas pessoas que envolve decisões, escolhas e novas motivações no ciclo de vida familiar. A mãe tem um papel muito importante durante os nove meses de gestação e nos primeiros meses de vida do bebé, mas não pudemos nunca descartar o papel do pai.


Os pais são muito importantes para os filhos, de isso penso não restarem dúvidas. Ser pais implica um trabalho a tempo inteiro, “trabalho” esse de grande responsabilidade. Na sociedade portuguesa, até há bem pouco tempo, era esperado do pai e da mãe o desempenho de papéis diferentes. Á mulher competia cuidar dos filhos e da casa e ao homem sair para trabalhar e ganhar dinheiro para a família. Das mulheres era esperado que fossem submissas e gentis e dos homens dureza e ambição. Felizmente muitas mudanças aconteceram e actualmente quer o pai quer a mãe têm um papel de relevo na educação dos filhos. Ambos trabalham e repartem as tarefas domésticas bem como os cuidados ao bebé - alimentação, mudar fraldas, etc.


Os padrões que regiam os pais de há duas ou três gerações atrás não são os mesmos de agora, assim como também o relacionamento entre os cônjuges mudou radicalmente. Os filhos são os maiores beneficiários de todas estas mudanças, pois passam a ter uma família completa, com um pai mais presente e não como antes uma mãe e “um senhor que estava lá por casa”, completamente ausente. O pai é agora uma pessoa participante, que brinca, que apoia, que conversa, que ajuda, em quem os filhos podem confiar – e que desempenha um papel único e insubstituível. O pai, tal como a mãe, deve viver a gravidez. Após o nascimento devem ser os dois a ocuparem-se dos cuidados ao bebé colocando de lado ideias que ainda possam persistir na sociedade. O nascimento de um bebé provoca, obrigatoriamente, mudanças no casal, o que obriga os pais a um renascimento e a um reajustamento dos modelos e práticas relacionais. No entanto os pais não se devem esquecer que também são maridos e mulheres e que devem continuar a ter momentos, nem que sejam breves, para estar a sós. O bebé deve ser um elemento de união do casal e não um elemento perturbador.


Aceitar as mudanças, prever estratégias de apoio através de terceiros e partilhar as responsabilidades sem complexo de culpa são formas de minimizar as dificuldades e que permitem aos novos pais apreciar a experiência em pleno.
Lembre que os primeiros três anos de vida são essenciais para o desenvolvimento da personalidade e equilíbrio dos afectos da pessoa. Apesar dos receios, hesitações e problemas de percurso, o nascimento de um filho é um marco único na vida de uma pessoa.


Portanto, Caros Pais, Parabéns a duplicar pelo vosso bebé!


______________________Publicado na edição de 18.04.2012 do Jornal Expresso do Ave

 

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