Tal como o nome indica o Síndrome da Morte Súbita do Lactente é a morte sem explicação de um lactente, aparentemente saudável, no primeiro ano de vida. A sua ocorrência é rara no primeiro mês de vida, aumenta até um valor máximo entre os 2 e os 4 meses e cerca de 95% dos  casos surgem antes dos 6 meses de idade. Acontece geralmente no domicílio, sendo o bebé encontrado sem vida no berço.

 

Em Portugal, segundo estudos efectuados, houve um aumento do número de casos entre 1974 e 1990 e um decréscimo a partir de 1992. Verificou-se também um predomínio acentuado no lactente no sexo masculino, entre ao 1 e 4 meses, nos meses de Dezembro a Março, aos fins-de-semana, no domicílio e em períodos de sono durante a noite.

 

Actualmente pensa-se que a morte súbita do lactente é a um acidente multifactorial, no qual á que ter em conta vários aspectos, entre os quais:

 

1) Causas genéticas/constitucionais

 

2) Causas desencadeantes

As patologias habituais desta faixa etária, numerosas e variadas, por vezes acumuladas, nomeadamente as infecções, o refluxo gastroesofágico, a hipertonia vagal, hipertermia.

 

3) Causas favorecedoras

 

Ligadas ao ambiente do lactente, como sejam, condições sócio-económico-culturais deficientes, o tabagismo e a posição no berço

  

As campanhas de sensibilização para colocar os lactentes em decúbito dorsal no berço resultaram numa acentuada diminuição da incidência da morte súbita em vários  países, embora esta continue a sera maior causa de mortalidade nos lactentes após o período neonatal.

COMO DEITAR O SEU FILHO ?

 

Se o seu filho é ou foi pré-termo e esteve internado numa unidade de cuidados intensivos ou intermédios, pode acontecer tê-lo visto por vezes em decúbito ventral. Essa posição é  por vezes usada na unidade para estabilizar a respiração se o bebé é muito pequeno, mesmo quando está ventilado. Contudo, na unidade, o seu filho estava monitorizado e qualquer diminuição da frequência respiratória seria logo detectada.
 

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.Em casa, não esqueça, o seu filho deve ser sempre deitado de costas.

 

Está demonstrado, actualmente, que a posição em decúbito ventral no berço é um factor de risco. Algumas das razões porque o  decúbito ventral é considerado a causa mais directa de Síndrome da morte súbita do lactente são relacionadas com a respiração do próprio ar expirado, condicionando uma elevada concentração de anidrido carbónico no ar inspirado, a inibição dos reflexos laríngeos e o sobreaquecimento por diminuição de perda de calor pelo rosto e pela cabeça, entre outras.
Condições coadjuvantes seriam  o colchão  inapropriado (colchão mole), uso  de  edredão  em vez  de lençóis  e  cobertor  (possibilidade de asfixia), condições sociais marginais e dormir na cama dos pais.

Estudos epidemiológicos, realizados demonstram que a publicidade contra a  posição  ventral  permitiu  reduções  de  morte entre 20 % e 67 %, sem aumento do número de mortes por aspiração de vómito.

Em Abril de 1992 a Academia Americana de Pediatria, recomenda  o decúbito dorsal para os lactentes. Esta recomendação é  também publicada  no mesmo ano, em Portugal, pela Direcção Geral de Saúde e consta do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil.

Existem, no entanto, situações particulares em que pode haver indicação clínica para  o decúbito  ventral, como  é o caso  dos  doentes  com  refluxo gastro-esofágico. Nesta  situação, a  recomendação  para  a  prevenção  da  morte  súbita  consiste  em  usar  um  colchão  firme, bem  adaptado  às dimensões do berço, não cobrir demasiado o lactente ( a roupa não deve ultrapassar os ombros) e evitar o sobreaquecimento.

 

O decúbito ventral deverá ser sempre uma prescrição médica

 

O bebé deve ser colocado de barriga para cima quando for dormir, posição que lhe permite  respirar o ar ambiente  normalmente; em caso  de  febre pode facilmente libertar-se da roupa que o cobre, não correndo o risco de sufocar.

 

Ensine o seu filho a brincar de barriga para baixo e dormir de barriga para cima

 

Procure manter o bebé na posição vertical um quarto de hora após ter mamado. Até aos 2 anos deve dormir numa cama de grades, sobre um colchão firme e bem adaptado ao tamanho da cama ou berço, para que não fique qualquer espaço entre o colchão e as grades.

Não deve usar almofada e não lhe deve dar fraldas para a mão, e muito menos tapar-lhe a face. A roupa da cama não deve cobrir a cabeça do bebé e não devem ser utilizados cobertores pesados.
A temperatura do quarto deve ser entre os 18 e 20, e se tiver febre deve ser despido (arrefecimento físico).
O fumo do tabaco durante a gravidez e após o nascimento, constitui um factor de risco de morte súbita. Sabe-se que um recém-nascido ou lactente privado do sono é mais vulnerável, pelo que o seu sono deve ser respeitado.

 


A monitorização no domicílio só terá lugar em casos seleccionados pois é um factor de stress para a família, e não permite a detecção das apneias obstrutivas.

  

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 COMO PODE REDUZIR O RISCO DE MORTE SÚBITA?

 

A posição mais segura no Berço:

  • Coloque o bebé de costas.
  • De lado não é tão seguro como de costas.

 

O lugar mais seguro para dormir:

  • Coloque o bebé num berço seguro com colchão firme e bem adaptado ao berço.
  • Nunca o coloque numa cadeira, sofá, cama de água ou pele de carneiro.
  • Nunca o coloque na sua cama.
  • O cobertor não deve ultrapassar os ombros para evitar o sobreaquecimento.
  • Não coloque no berço almofadas, fraldas, nem brinquedos.

 

Outras maneiras de reduzir o risco:

  • Não deixe que o seu bebé fique muito quente enquanto dorme. Mantenha o quarto com uma temperatura confortável (18 a 20).
  • Não fume durante a gravidez nem deixe que fumem perto do seu filho. A exposição ao fumo do tabaco aumenta o rico de morte súbita.
  • A chupeta reduz o risco de morte súbita, mas se o bebé a rejeitar não force.
  • Os monitores em casa não diminuem o risco de morte súbita.
  • Deixe-o brincar de barriga para baixo para fortalecer os músculos do pescoço.
  • Partilhe esta informação com a pessoa que trata do seu filho.

 

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Fonte:

American SIDS Institute

Nascer Prematuro - Um manual para os pais dos  bebés  prematuros publicado pela Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria.