nun_1

 

 

 

O Nuno nasceu em Junho de 2005 com 29 Semanas de gestação e com 1475 gramas de peso



 

 

 

.
Este é o testemunho da mãe do Nuno:

nun_2"O Nuno nasceu com 29 semanas de gestação. Às 23 semanas senti um líquido a correr, e como já tinha sofrido um aborto espontâneo fui logo ao hospital de Leiria, e também lia muito, e nesta fase de gestação muitas mulheres sofrem de incontinência, devido ao peso do bebé na bexiga, bem. Mal cheguei ao hospital, mandaram-me fazer xixi para um copinho para fazer análises. A médica de serviço observou-me e disse "- Isto não é líquido amniótico". Mandou-me vestir, ao vestir-me espirrei, estávamos no inverno, a médica perguntou-me  “- Fez xixi?”, respondi “- Não”, diz ela “- Então não é incontinência”. Fiquei a pensar “- Então o que é também queria que fosse, se ainda agora despejei a bexiga”.
Fui para casa, e foi aqui que eu errei, não devia ter ido para casa sem saber o que era aquilo que corria por mim abaixo. As análises estavam bem, estive durante 3 semanas a fazer a minha vida normal a subir e a descer escadas, ia trabalhar, por aí fora. Às 26 semanas quando fui á minha consulta de rotina com a minha ginecologista, mal ela introduz o bico de pato encheu-se de líquido amniótico. Mandou-me logo ser internada na Bissaya Barreto em Coimbra, tinha rotura de membranas.
Fiquei internada durante 3 semanas, sem me poder mexer. Todos os dias faziam-me análises aonun_3 sangue para ver se tinha contraído alguma infecção, e tinha. Às 29 semanas tiveram de fazer nascer o Nuno via cesariana, porque a infecção estava a chegar a ele. Nasceu com 1.475kg, mal nasceu chorou mas, apagou-se logo, tiveram de o reanimar, esteve internado na UCIN - Unidade Cuidados Intensivos Neonatais durante um mês e meio. Fez uma transfusão de sangue, levou surfactante para ajudar os pulmões, muita medicação. Esteve tão doentinho que quando voltaram a pesá-lo já com uma semana de vida, pesava 1.100kg.
Os médicos acreditam que o que o salvou foi o meu leite ser bom. Fez fototerapia por causa da icterícia, teve uma infecção urinária, depois teve de pôr o CPAP, pois os pulmões ficaram feridos por ter levado muito oxigénio, teve várias apneias (esquecer-se de respirar) e braquicardias (alteração no ritmo cardíaco), até que um dia foi o Nuno que pediu para lhe tirarem o CPAP. Passado uma semana passou para o berço, do berço foi para o Hospital de Leiria onde permaneceu mais um mês para fazer o desmame total do oxigénio. Como não havia meio de largar aquele cheirinho de oxigénio veio para casa com o oxigénio até que mais uma vez foi ele que pediu para não fazer mais, irritando-se quando lhe punha a máscara. Não foi preciso mais, e não voltou mais para o hospital.
Os médicos dizem o que o tem feito estar afastado do hospital foi eu amamentá-lo, fiz tudo por tudo para manter o leite com a bomba e consegui fazer o Nuno passar do biberão para o peito aos 3 meses e até aos 7 meses foi só peito.
Com 9 meses e bem de saúde já comia sopinhas e ainda o amamentava. Não havia nada mais gratificante de que o sorriso que o Nuno me dava quando terminava de mamar. O meu conselho para ti futura mamã é tirar todas e quaisquer dúvidas  porque o instinto maternal de que algo não está bem não é falso. Aguentar o bebé lá dentro o mais tempo possível, porque um dia lá dentro equivale a uma semana cá fora. Levar tudo com um pensamento positivo para transmitir essa energia positiva para o bebé e fazer tudo por tudo para amamentar. O Nuno passou por muito, e sofreu muito e ainda hoje as mãozinhas dele têm as cicatrizes das picadelas que levou, mas as maiores ajudas foram o leite, a esperança, coragem, o pensamento positivo, apoio familiar, e especialmente, muita fé.
Hoje o Nuno tem 28 meses e a nível respiratório está muito bem, mas só este mês  é que começou a andar. Ainda não fala, não diz  mesmo nada, só palra muito, muito. São consequências de uma prematuridade com muitas dificuldades, mas há-de lá chegar..."

nun_4nun_a
nun_b

 

Fotografias cedidas pelos pais do Nuno

Ser Prematuro®  2007 - 2017                                                                                                                                              O autor agradece  a colaboração de todos os pais