O nosso ANJO na Terra...

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O Gabriel nasceu em Agosto de 2010 com 31 semanas de gestação e com 1310 gramas de peso.

 

 

 

 

Este é o testemunho dos pais do Gabriel:
gab1“Ser-se mãe é uma possibilidade humana, viver a maternidade é um poder Divino”
A nossa história começa no dia 10 de Junho de 2006, depois de 6 anos de namoro, que culminaram em casamento. Nos primeiros dois anos decidimos por nos adaptarmos à nova vida a dois e prepararmo-nos para o passo seguinte, sermos pais.
Como tinha ovários poliquisticos, foi-nos dito que poderíamos ter alguma dificuldade em engravidar. Começamos a tentar em Agosto de 2008 e o positivo apareceu logo no mês seguinte. Afinal, não foi nada difícil e o que achávamos que seria o mais complicado, estava feito. Iamos ser pais. Foi um dos dias mais felizes da nossa vida. Um misto enorme de emoções invadia-nos. O tempo ia passando, o bebé crescendo e um amor desmedido desabrochava no nosso peito. Essa alegria rapidamente desapareceu, pois às 20 semanas de gravidez perdemos o nosso filho, o Tiago, o nosso primogénito.

Vivemos tempos de grande tristeza, dor, revolta, incompreensão. O que fazer agora com tanto amor que tínhamos para dar, o que fazer com as coisinhas que já tínhamos, com os projectos a três?
Afinal um teste positivo não significa nada. O caminho a percorrer é longo e muita coisa pode acontecer.
9 meses depois decidimos tentar novamente, e cheios de esperança, acreditamos que desta vez sim, teríamos um filho nos braços. Mas mais uma vez a maternidade estava a ser madrasta connosco. Às 9 semanas perdíamos mais um filho.

A ferida que aos poucos, estávamos a tentar cicatrizar, abriu novamente. Mas como desistir não é o caminho para a maternidade, voltamos a tentar e 4gab3 meses depois, um novo teste positivo. Desta vez, a felicidade era contida, o receio era enorme, pois as perdas anteriores ainda estavam bem vivas na nossa memória. Às 8 semanas uma hemorragia assombrou esta gravidez, mas com muito repouso e cuidados, tudo ia correndo bem.
Às 16 semanas soubemos que iamos ser pais de mais um menino, o Gabriel, e foi desde essa altura também, que começamos a sentir os seus movimentos. O que nos dava uma renovada esperança e nos fazia acreditar que, como diz o ditado, à terceira é de vez.

Tudo correu bem até às 29 semanas. Depois de 3 dias com a tensão arterial um pouco alta e sempre a aumentar a cada dia, decidimos falar com a médica que nos seguia, que nos aconselhou a fazer umas análises para despistar algum problema que pudesse existir. Já no hospital a tensão arterial normalizou e chegava o resultado das análises que revelaram uma trombocitopenia grave. Fiquei imediatamente internada, medicada para a recuperação do número de plaquetas e foi-me administrada também uma injecção para a maturação dos pulmões do Gabriel. Ficamos com algum receio, pois esta situação era um indicativo de que o nosso filho poderia nascer mais cedo. 2 semanas depois foi diagnosticada pré-eclampsia e trombocitopenia e o parto teria que acontecer o mais rápido possível. Depois de 2 transfusões de plaquetas fizeram a cesariana de urgência.
gab4No dia 17 de Agosto de 2010, pelas 16:10, com 31 semanas, nasceu o Gabriel, o nosso anjo na terra. Com 1310gr e 39cm.
Ao contrário da grande maioria dos pais, o dia do nascimento do nosso filho, não foi o dia mais feliz da nossa vida. O medo que alguma coisa corresse mal, não nos permitia desfrutar deste momento, memorável na vida de um casal.
Foi imediatamente transferido para a UCIN (unidade de cuidados intensivos neonatal), onde esteve durante 39 dias. Quando entramos na UCIN pela primeira vez foi assustador. Não era assim que imaginávamos ver o nosso filho, vê-lo tão pequenino, tão frágil, vulnerável e cheio de fios, rodeado de tecnologia, era verdadeiramente intimidante. Sentíamo-nos impotentes. O som daquela tecnologia ecoava constantemente na nossa cabeça.
Inicialmente, o Gabriel, estava somente com o CPAP, mas no terceiro dia de vida sofreu um pneumotorax e teve que ser drenado e ventilado durante 5 dias, durante os quais foi sedado. Fez fototerapia durante 2 dias e teve a fazer também antibioterapia. Ao 10º dia recuperou o peso que tinha à nascença.
Com 9 dias de vida podemos pegar ao colo pela primeira vez e este sim, foi o dia mais feliz da nossa vida. Quando começamos a dar-lhe banho, dar o leitinho, mudar-lhe a fralda, medir-lhe a temperatura… foi quando nos sentíamos pais, no verdadeiro sentido da palavra.
A evolução do nosso pequeno guerreiro era notória, de dia para dia ganhava peso. E se para os pais de bebés de termo 20g não é nada, para nós, “pais prematuros”, era motivo de grande festejo. No dia 23 de Setembro pudemos, finalmente, traze-lo para casa. Temos todos os cuidados com o menino pois, como nos foi informado, os prematuros são mais vulneráveis a infecções, viroses…

Não podemos terminar o nosso testemunho sem realçar o profissionalismo, o carinho e empenho com que os médicos e enfermeiros da UCIN de Guimarães, sempre trataram o nosso filho. Terão sempre um cantinho especial no nosso coração.
Agora com (quase) 6 meses de idade real o Gabriel tem 6kg e é este ser tão pequeno que nos alegra os dia e nos dá cor à vida.


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Fotografias cedidas pelos pais do Gabriel


Ser Prematuro®  2007 - 2017                                                                                                                                              O autor agradece  a colaboração de todos os pais