A minha bebé de ouro!

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A Mafalda nasceu em Junho de 2006 com 36 semanas de gestação e com 1890 gramas de peso

 

 

 


Este é o testemunho da mãe da Mafalda:
maf_2Eu sou a mãe da Mafalda, uma bebé pouco prematura (pois nasceu às 36 semanas), mas de baixo peso. Consegui engravidar aos 38 anos e depois de dois tratamentos de fertilidade: FIV-ICSI. Foi um milagre, é a minha bebé de ouro!


Mas, logo desde o início que as coisas começaram a correr mal. No dia do Beta tive logo algumas hemorragias. Fui várias vezes ao hospital com hemorragias enormes devido a um descolamento de placenta. No entanto, saía de lá sempre com boas notícias: o coração continua a bater. “Vamos esperar pelas 12 semanas”, diziam-me, pois até lá haveria sempre o risco de aborto. Só que ela ia aguentando, e o tempo passava.

Até que um dia, com 36 semanas (embora nas ecografias correspondesse a 34 semanas de gestação), deixei de sentir os movimentos da Mafalda. Nessa manhã tentei comer doces, dar pancadinhas na barriga, e nada… Resolvi ir às urgências de Hospital de Gaia pois foi lá que fiz os tratamentos de fertilidade.


No hospital colocaram-me as cintas do CTG e pediram, obviamente, para apertar o botão mal sentisse a bebé. Mas nada, nunca o apertei. O coração dela batia, mas ela não se mexia. Algo não estava bem, e a médica resolveu chamar uma colega que confirmou que algo de errado se passava. Os batimentos cardíacos eram uniformes, sempre nos 152 bpm. A bebé estava em sofrimento fetal. Primeiro, disseram-me que teria de ficar internada para observações, mas horas depois, uma médica vem ter comigo e diz que iriam ter de fazer uma cesariana de urgência. E avisaram-me logo que a bebé iria para neonatologia, pois era prematura e de baixo peso. maf_3


Felizmente, pude escolher entre anestesia geral ou epidural. Claro que escolhi a epudural, pois queria vê-la mal nascesse. E ela finalmente nasceu às 00h31 do dia 10 de Junho de 2006. Ouvia-a chorar ao longe, primeiro baixinho e depois mais alto, e só quando a vi embrulhada num pano verde reparei que era pequenina, mas com uns olhos lindos, enormes, arregalados… Pesava 1,890 quilogramas e media 43 cm.


Para as 36 semanas de gestação, era – como já disse - uma bebé de baixo peso. Mas nunca necessitou de respiração assistida, não teve que ser entubada, e, com um dia de vida já bebia do biberão.

Se tudo estivesse bem, ela rapidamente iria para casa. Mas não estava. Ao terceiro dia descobriram que ela tinha um sopro cardíaco. Não sabiam de que tipo, nem se fecharia sozinho. Os médicos decidiram que era melhor ela ser vista pelos especialistas de cardiologia pediátrica do Hospital de S. João. E lá foi ela, na incubadora. Quando chegou outra vez a Gaia, as notícias não eram boas nem más. Iriam tentar uma medicação para ver se o sopro fechava. Se não fechasse, teria que ser operada.

Mas o sopro não fechou, e ela tinha mesmo que ser operada. Mesmo assim, veio para casa dia 28 de Junho, 18 dias depois de nascer. Esses foram dias longos, passados na neonatologia de manhã à noite. Quase todas as madrugadas telefonava para saber como ela estava. Era um sofrimento não a ter em casa, no berço dela.

Aos 2 meses e 12 dias teve mesmo que ser operada ao canal arterial. O sopro não fechava, as dificuldades respiratórias eram muitas, o coração estava a aumentar e os pulmões estavam já encharcados. Seria – segundo os médicos - uma operação simples, a mais simples de todas as de cardiologia. Só que nem tudo correu bem: durante a intervenção ela entrou em paragem cardio-respiratória. Depois de horas à espera, tivemos a pior notícia que uns pais podiam ter. Não sabíamos se iria ter sequelas futuras. Três dias depois saiu dos cuidados intensivos. Aparentemente estava bem. Antes de ter alta, fez uma eco transfontanela, que não acusou nenhuma lesão. Mas, ainda seria cedo para avaliações. Apenas por volta dos 6 meses se saberia se ela tinha ficado com lesões cerebrais.

Com o passar dos meses, o desenvolvimento dela era o mais normal possível. Fez nova eco transfontanela aos 6 meses, e estava tudo bem! Com um ano teve alta das consultas de desenvolvimento, pois tinha até um desenvolvimento superior ao normal.


Hoje, com quase 3 anos, a minha guerreira, a minha bebé de ouro, tem ultrapassado tudo.

 

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Fotografias cedidas pelos pais da Mafalda

Ser Prematuro®  2007 - 2017                                                                                                                                              O autor agradece  a colaboração de todos os pais