Olá!
Hoje vou deixar aqui mais uma fantástica história de vida. É a história do Daniel e do Alexandre, dois irmãos que nasceram  prematuros, um  com 31 e o outro com 28 semanas.

Obrigado Ana.

Este é o testemunho da mãe do Dani e do Alex:

"Tinha 22 anos quando tive um AVC, por ruptura de aneurisma cerebral. Apesar de ter tido uma  recuperação fantástica, fiquei com crises esporádicas de epilepsia e com hipertensão arterial, não controlada com medicação.
Dois anos mais tarde, decidi submeter-me a uma “angiografia”, pois queria engravidar, mas tinha algum receio. Da parte neurológica estava tudo bem, mas depois de consultar diversos ginecologistas, nenhum me dava grandes esperanças de que a gravidez fosse bem sucedida. Chegaram a perguntar-me “porque não pensava antes em adoptar”. Não é que a adopção estivesse completamente fora de questão, mas queria  tanto um filho biológico que decidi avançar...
Não utilizei qualquer método contraceptivo durante mais de dois anos e quando estava prestes a desistir, engravidei. Comecei a ser seguida  nas consultas de alto risco e nas de hipertensão, na MAC. Com 10  semanas, tive um pequeno descolamento da placenta, mas com repouso, as coisas foram evoluindo... Às 24 semanas fui internada, após uma consulta de rotina. Estava com o colo do útero muito curto e com contracções. Levei as injecções de betametasona, para o amadurecimento pulmonar do bebé, mas fiquei sempre confiante de que ele iria aguentar mais um tempinho. Muito pouco sabia acerca de bebés prematuros e nunca me tinha passado pela cabeça que eu pudesse ter um  bebé com  tão pouco tempo de gestação. Às 26 semanas, tive alta e o meu apressadinho conseguiu aguentar-se até às 31 semanas. Entrei para as urgências a MAC, com muitas dores nos rins e novo descolamento da placenta. Além disso, o meu bebé não estava a desenvolver-se adequadamente. Tive pré-eclampsia e síndroma de Hellp, pelo que me fizeram uma cesariana de urgência.
O Daniel nasceu com 1270 gramas e 37 centímetros. Ficou ventilado nos cuidados intensivos durante 4 dias.

Uma semana depois de ter nascido, estava já a passar para os cuidados intermédios, onde ficou mais 15 dias. A evolução foi sempre muito positiva e ele dava grandes provas de que queria viver! Teve alta no dia em que fez um mês, não cabia em mim de alegria. Um facto curioso foi o de eu nunca ter olhado para ele e o  achar pequenino. Isto deve ser mesmo o coração de mãe: o meu não era pequeno, os outros (de termo) é que eram grandes!
Tem tido um desenvolvimento perfeitamente normal, não ficou com sequelas. Tem sido muito saudável (só teve uma ou outra otite, na  altura  dos dentitos) Tem agora 3 anos e meio, 17 Kg, 98 cm e é lindo, lindo!!!
 

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  O Daniel nos cuidados intensivos e com 1 aninho

 

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O Daniel com 2 anos e meio


Continuação do testemunho da mãe do Dani e do Alex:
"Depois desta gravidez conturbada, toda a gente me dizia “Agora, já tens um filho. É melhor ficares por aqui.”

Conscientemente eu também achava que sim, mas eu gosto muito (mesmo muito) de crianças e gostava muito de dar um irmãozinho ao meu filho. Daí a um ano, engravidei novamente! Não posso dizer que tivesse sido planeado, mas era muito desejado.
Lá fui novamente para a MAC mas, infelizmente, às 17 semanas tive um aborto expontâneo... Não cheguei a saber ao certo o que se passou, não me deram uma explicação concreta. Disseram-me apenas que “há coisas que acontecem, sem sabermos porquê”. Não soube também se era um menino ou uma menina, preferi não saber e foi ao Daniel que fui buscar forças, pois era ainda pequenino e precisava da mãe.
E foi quase um ano depois que engravidei outra vez. Desde o início que comecei a levar injecções de heparina  diariamente na barriga, porque tinha alguns valores alterados no estudo de coagulação. Às 16  semanas, tive um pequeno descolamento da placenta e comecei logo a “ver o filme todo outra vez”... Mais uma vez, repouso! Mas, com um filho pequeno, o repouso só é absoluto quando estamos internadas. E foi isso que acabou por acontecer, às 26 semanas. Fiquei internada, com contracções e com um  colo de 0,5 cm. Levei as “famosas” injecções para o amadurecimento dos pulmões e mais não sei quantas coisas  para atrasar o parto. Lembro-me de ter pensado: “A  partir das 24 semanas já  é possível... vai tudo correr bem”. E foi assim, que às 28 semanas, nasceu o Alexandre, com 1225 gramas e 38 centímetros.
Este, ao contrário do irmão, não necessitou de ser reanimado e esteve com o“infant flow”, apenas por precaução.

Teve de levar duas transfusões, por causa  da anemia, mas recuperou muito bem. No dia em que  começou a mamar por tetina, estava  tão sôfrego, que não lhe voltaram a colocar a sonda. Foi ao final de 44 dias, que teve alta e até agora tem estado a correr tudo bem... Com 1 mês de idade corrigida, já tem quase 5 Kg!!!
Não posso deixar de agradecer a todos os médicos, bem como a todos os enfermeiros, auxiliares e até aos seguranças da MAC, que foram muito humanos e sempre me transmitiram esperança.
É engraçado como vamos criando afinidades com as pessoas, mesmo sem as conhecermos fora do ambiente hospitalar.

Quando chegámos à unidade de neonatologia para ver o Alexandre, a maioria dos enfermeiros e auxiliares ainda se lembrava de nós e o Daniel já se sentia “em casa”.
Ele próprio dizia: “Eu também já estive aqui!”


Aos pais de outros apressadinhos, fica o testemunho e uma mensagem de esperança! Estes meninos e meninas são uns autênticos lutadores. Surpreendem-nos a cada dia que passa e o lema é “Acreditar sempre!”

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O Alexandre nos cuidados intensivos e já em casa

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Foto dos dois manos

 

Fotografias cedidas pelos pais do Dani e do Alex

Ser Prematuro®  2007 - 2017                                                                                                                                              O autor agradece  a colaboração de todos os pais