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A Rafaela (à esquerda) e a Rita (à direita) nasceram em Novembro de 2006 com 32 Semanas de gestação e com 1710 e 1700 gramas de peso, respectivamente.

 

 

 

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Após 18 dias de internamento foram para casa, a Rafaela com 2170 gramas e a Rita com 2070 gramas, respectivamente.


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9 meses depois estão duas bonequinhas lindas... 

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Este é o testemunho da mãe da Rafaela e da Rita:

raf_rita2"A minha gestação provocou uma mudança bastante drástica, não só na minha vida mas também na do meu marido, pois surgiram complicações logo nos primeiros meses.
Aos 2 meses foi-me detectado cancro no colo do útero. Em final de Junho, após uma cirurgia para remover parte do colo tive de abrandar o ritmo e não fazer nenhum tipo de esforços. Contudo, como a probabilidade de parto pré-termo está relacionada com o comprimento do colo, em Agosto fiz uma ciclorrafia e desde então estive em repouso absoluto, tendo sido internada no inicio de Novembro, para evitar um nascimento demasiado prematuro, estava com contracções. Porém, às 32 semanas nasceram.
Foi assustador…
Primeiro por achar que as bebés nasceram demasiado cedo e podiam ter problemas, depois porque ver duas bebés tão pequeninas, ligadas a tantos fios, que tinham de ficar sozinhas sempre que eu ou o papá íamos comer ou dormir, era muito triste. Para complicar, assim que elas nasceram fiquei com anemia e não tinha forças para estar junto delas, isto agravou ainda mais a situação. Nos primeiros dias tinha de as ir ver de cadeira de rodas e mesmo assim não conseguía ficar muito tempo porque o ambiente na neonatologia era demasiado quente para mim, bastavam 10 ou 15 minutos para me começar a sentir mal... Após uma semana recuperei. Durante a semana em que estive internada na Obstetrícia foi muito difícil ver as outras mamãs com os bebés ao colo, a darem-lhe banho, etc… E eu não podia fazer nada disso!
Quando, finalmente, tive alta a situação alterou-se bastante, para melhor claro. O facto de ao fim de praticamente um mês poder sair do hospital, de as bebés não terem nenhum problema e de finalmente poder estar pertinho delas, tocar-lhes, pegar-lhes ao colo, sem receio de que me pudesse sentir mal e as deixar cair, foi indescritível, se bem que estando tantas horas na UCIN vamos partilhando as alegrias e as tristezas das outras mães e por vezes era difícil ver o sofrimento ali ao lado e imaginar que podia ser eu... acho que depois das bebés nascerem fiquei  muito lamechas...
A gravidez e o nascimento das bebés não foi o mais normal, mas apesar das circunstâncias está tudo bem com elas. São umas meninas lindas e muito activas. (comigo também)
Agradeço a toda a equipa da UCIN (médicos, enfermeiros e auxiliares) por tudo; por todo o carinho que 
lhes deram, pela atenção e apoio que me prestaram e pelo que me ensinaram, afinal foram as minhas

primeiras bebés. Não posso, no entanto, esquecer de agradecer às outras mães que lá se encontravam, bem como às enfermeiras da obstetrícia, que foram uma grande ajuda, sempre simpáticas e prestativas.
Por fim um agradecimento especial à minha obstetra, claro, que foi de uma dedicação incrível e se não 
fosse o seu empenho, receio que as coisas não se tivessem desenrolado tão bem…     

Obrigado a todos.”
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A Rafaela (rosa) e a Rita (azul) no seu primeiro aniversário.

 

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A evolução da Rafaela e da Rita

"A Rafaela e a Rita fizeram dezoito meses, no dia 18 de Maio. São duas bebés muito activas, brincam uma com a outra, apesar de a maior raf_rit00parte das brincadeiras acabar em choro, ou porque uma ficou com o  brinquedo da outra, ou porque uma se magoou, enfim, são duas traquinas, conseguem arranjar sempre asneiras novas para fazer… e fazem questão de mostrar… no caso de eu não ver logo…
É muito engraçado ver a evolução das duas e a forma como se relacionam.

Até aos seis meses não há muito a dizer, o factor dominante eram as preocupações, o medo de que alguma coisa podia não estar bem, as idas à pediatra. O facto de muitas pessoas não entenderem ou não saberem o que é ser prematuro, levava a um desgaste bastante grande. Os comentários do género “já devia segurar melhor a cabeça…”, “Ainda não se senta sozinho?”, “Ah, ainda só toma leite!” enfim, as comparações são inevitáveis…

As típicas doenças de bebés surgiram aos dez meses, altura em que foram para a creche. Apesar de

começarem por ir 1 hora depois duas e assim gradualmente até ficarem das 9h às 15h, nos dois primeiros meses ficaram em casa mais tempo que o que estiverem lá, ficaram constipadas, com febre, tiveram gastroenterite, duas viroses… actualmente ainda choram sempre que as deixo de manhã… mas as  doenças felizmente desapareceram…

As novidades propriamente ditas começaram a partir dos seis meses, a principio mais espaçadas, actualmente são quase diárias.raf_rita_rAs primeiras aprendizagens tinham uma diferença aproximadamente de duas semanas, agora são momentâneas, o que uma faz a outra imita. Em algumas situações é bom, como quando uma está a comer a sopa e faz uns ruídos no final de cada colher, a outra também come só para fazer os mesmos barulhos. É mau quando uma faz uma asneira, porque eu estou a repreende-la  mas a outra tem de fazer a mesma coisa e como já sabe o ue vai acontecer, faz a asneira a olhar para mim a rir-se…

Apesar de serem fisicamente muito parecidas, têm uma personalidade bastante diferente. A Rafaela gosta de exer nos brinquedos, pressionar os botões, ver o que fazem. A Rita pega num brinquedo, se não consegue pressionar o botão para que toque musica por exemplo, atira com ele e pega noutro. A Rafaela tem um boneco com que dorme e anda sempre, chega a casa vai logo busca-lo…a Rita só pega no dela para o atirar para fora da cama… Gostam de se pôr dentro do cesto dos brinquedos, uma fica lá dentro, a outra empurra, depois trocam, a Rafa é sempre a primeira a desistir de empurrar… Gostam as duas de ver o baby tv e dançar em frente da televisão adoram andar de triciclo e de brincar com bolas...

A nível de vocabulário, estão ainda  muito limitadas, começaram por dizer mamã, depois pápa e olá, em  seguida papá. Mas isto não é impedimento, para que não sejam bastante barulhentas, “falam”uma com a outra e mesmo para  nós, como se estivessem a ter uma conversa séria… levantam a voz, gesticulam à medida que falam… uma diz qualquer coisa a outra responde, têm conversas bastante animadas, apesar de eu não perceber quase nada!!! O que percebo é pelos gestos. Quando fazemos uma pergunta, do género “Queres água?” Acenam com a cabeça, sim ou não. Percebem muito do que se diz pois reagem rapidamente aos pedidos, mas falar…

Em relação à alimentação, querem comer sozinhas, mas o resultado no final assemelha-se à passagem de um furacão pela cozinha. Comem bem com a colher, gostam de quase tudo o problema é quando não querem determinado alimento, porque se hoje comem muito bem as ervilhas, na próxima refeição que tenha ervilhas uma não quer e… atira com elas… a irmã, claro está atira também.

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                                                                                         Pelos pais da Rafaela e Rita em Maio de 2008
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raf_sopaA Rafaela depois de ter colocado sopa no cabelo...

 

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..e a Rita que adora chupetas.


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                                                                    Fotografias cedidas pelos pais da Rafaela e da Rita

Ser Prematuro®  2007 - 2017                                                                                                                                              O autor agradece  a colaboração de todos os pais