Nascer antes do tempo!
Dinis2

 

 

 

 

O Dinis nasceu em Março de 2012 com 26 semanas de gestação e com 1140 gramas de peso

 

 

 

Este é o testemunho da mãe do Dinis:

Começo com supostas contrações dia 22 de Março 2012 e vou para o hospital Beatriz Ângelo. As mesmas são confirmadas passado umas horas no hospital e informam-Dinis1me que vou ficar até a manhã seguinte em observação. Achei que era mais por precaução, mas já no quarto começo a ter umas perdas de sangue. Como o hospital não estava equipado para receber um bebé tão prematuro sou transferida para o Hospital de Santa Maria, deveriam ser 3 da manhã. Passo essa madrugada na sala de partos a levar medicação para acalmar as contrações e levo as injeções para a maturação dos pulmões. Não percebia bem o que se passava, e não me era também dito muita coisa... Como tudo acalmou vou à tarde para o internamento, com a possibilidade de ter de me manter por lá até pelo menos as 34 semanas. Fiquei assustada não percebia nada, estava tudo a correr tão bem, não havia contratempos anteriores.
Mas também ninguém me explicou muita coisa. Ás vezes penso que ainda bem... o desconhecimento as vezes pode evitar outras coisas. Tudo começa quando fui pela 2ª vez ao bloco de partos(27 de Março 2012, 19:00h), pensei: "Já não devo sair daqui com o meu bebé na barriga!"
E tudo fica muito estranho. Muitos médicos, muitos exames, o controlo exaustivo meu e teu. Uma noite inteira sem dormir, com a cabeça vazia, pois por mais historias que se ouçam sobre o assunto vivê-lo é algo inexplicável.
21 hora de trabalho de parto... contrações que teimavam em continuar, perdas de sangue que teimavam em não abrandar, mas tu meu filho estavas óptimo, e isso era o meu calmante...
Muitas entradas e saídas do papá, pois tinham de ver se estávamos bem.
Até que é confirmado que ias nascer "entre hoje e amanhã" (4 dedos de dilatação, e estavam a evitar um parto deprimido, o que para mim era algo assustador, porque na minha cabeça era nasceres apático e triste, mais tarde descubro que não tem nada haver...).
Mudamos de sala, e aí no fundo eu tinha uma réstia de esperança que tudo iria mudar e ias continuar mais tempo comigo, pois sabia que era muito cedo, mas não sabia que implicações teria. Tinha noção que possivelmente havia ventiladores, etc..., mas pouco mais.
Entretanto ja eram umas 15.30 talvez, e eu disse ao papá para ir comer algo, mas antes disso, disse para ele dar um beijinho na barriga e assim foi (não me perguntem porque, 6º sentido talvez) O papá, ao contrario de mim, despediu-se da minha barriga :( )
Mas passado pouco tempo, uns minutos, o pior e mais perigoso acontece. Começa uma hemorragia que me põe em grave risco de vida, descolamento de placenta, aDinis3 prioridade era eu só depois tu... Foi um pânico naquele piso, tudo corria, tudo falava muito, muito alto. Começava a perceber que não íamos continuar um só, começo a chorar e adormeceram-me. Tinha muito medo de te perder e se assim fosse, não queria acordar....
Mas acordei, a ouvir "Mãe, mãe o Dinis já nasceu" e um mega parabéns... Olhei para o lado esquerdo e vi uma incubadora aberta com um lençol com um pouco de sangue, olhei para o relógio e era 17h, e perguntei, "Ele está bem?" Ouvi um sim! Mas não te vi, não sei como nasceste, como eras, não senti o teu cheiro, nada, zerooo.....
Nasces-te com 26 semanas e 6 dias, no dia 28 de Março de 2012 ás 16:12 com 1,140kg e 36 cm. Foste de imediato para a unidade de cuidados intensivos... Passas-te a ser chamado de "bebé Antunes".
Mais uma mudança de sala e muitos médicos e enfermeiros. Tudo me picava, mal falavam comigo, e eu não tinha capacidades para perguntar muita coisa, sentia a cabeça à roda. A luz incomodava-me muito e não tinha capacidade de raciocionio!
O pai, pois o pai só sabia que havia algo a acontecer de muito vivê-lagrave, não lhe conseguiam dizer mais nada!
Finalmente o pai vem ter comigo e diz que está tudo bem.... Como podia estar tudo bem, está tudo mal, tudo muito mal!
Mostrou-me uma foto tua, muito pequeno muito magrinho, mas o papá só dizia "Ele é grande". Pouco falei com ele, disse-lhe que se não sobrevivesses não queria um funeral, queria que ajudasses outros a sobreviver. Não chorava, não ria... só rolava a cabeça para um lado e para o outro ....
Após verificarem que estava tudo bem, passei para o piso das mamãs, e tive de estar cerca de uma hora numa sala com 3 mães e 3 bebés que choravam e que elas davam peito e conforto. Tudo olhava para mim e começava a sentir-me irritada. Virei costas a todas, não queria estar ali com elas, que massacre, só queria dormir para o tempo passar rápido. Olhava para a foto no telemóvel, e pensava "já sou mãe" e sorria por dentro.
Dinis4Felizmente mudaram-me para um quarto com uma outra mãe que tinha o seu filhote nos cuidados intermédios.
Passado pouco tempo entra uma enfermeira que me diz para tentarmos tirar leite, eu fiquei super contente, pois nunca achei que fosse ter, devido a todo o que aconteceu. Lá fui eu arrastar-me ate à cadeira e foi-me explicado como funcionava a bomba etc... Pouco tempo fiquei ali, desmaiei, tinha feito uma cesariana à poucas horas, o corpo não aguentou.
Ia recebendo sms de parabéns e aquilo começava a enervar-me, "Porquê parabéns, do quê?!"
Queria muito ir ver-te mas não conseguia, ainda estava muito tonta e não me aguentava sequer sentada.
Só me foi possível ver-te, e a muito custo, passadas mais de 24 horas. E foi o choque total, eras magrinho cheio de peles e muito cabeludo. Viam-se as tuas veias, o teu tórax, a tua pele era tão imatura, que só podia tocar, não fazer festinhas porque fazia ferida. Lembro-me de ter varias enfermeiras proximas de mim, não me recordo quem eram. Muitas maquinas a apitar, muitos fios e tubos, indescritível. Uma dor insuportável tomou conta de mim, só perguntava porque porque é que um ser tão pequeno tem de lutar pela vida; não á direito.
A partir desse momento não quis mais saber de parabéns, parabéns do quê? Não atendi o telemóvel, não quis saber de nada. É difícil ouvir o, Se Deus quiser.... Deus?! Ele é forte! Tens de ter força! Qualquer dia já não te lembras! Não, não queria ouvir coisas sem sentido, não me acalmavam só me davam vontade de berrar com o mundo inteiro!

Começo a perceber que tinha medo de estar ao pé de ti sozinha, tinha medo que nos deixasses. Sabia porque tinha lido num livro, que levei para o quarto que os rapazes não são tão resistentes, talvez tenha medo de te amar.
A frase que mais me diziam era "mãe um dia de cada vez, temos de acreditar (mas esse acreditar era dito de uma forma estranha, como que acreditar sim, mas não fazer Dinis5planos a longo prazo)"
Passa a existir uma luta interior muito grande, onde todas as pessoas insistem em falar do futuro, que daqui a x tempo vai estar tudo bem.... isso só me irrita, porque as coisas não são assim, existem tantos riscos!
Na noite anterior à minha alta dia 30 de Março, o papá conseguiu convencer-me a ir ver-te sozinha. Eram 22h, tinha tanto medo, e lá fui eu pelas escadas ( não havia elevador). Entrei na unidade a morrer de medo, e estava a querida Enf. Patricia a cuidar de ti. Eu sempre com um ar muito apardalado olhava para ti, e ela disse "Temos meia hora de colo, até à troca de turno", mas na altura não percebi. Quando a vejo a tirar-te da incubadora e a passar-te para os meus braços, não queria acreditar. Eras tão leve, não abrias ainda os olhinhos, e as enfermeiras sorriam para mim. A Dra. Margarida Abrantes até comentou que quem me estava a dar colo eras tu!
Por fim deixam-nos sós, eu não me mexia só olhava para ti, tentava não chorar e estranhamente não sentia aquele, "é meu filho, é o meu filho". Não dizia isso a ninguém pois podiam achar que estava louca.
Acabei por estar contigo ao colo 45 minutos, foi francamente estranho, diferente do que tinha imaginado.
Mas fui dormir muito mais calma, pela 1ª vez desde que nasces-te eu consigo dormir.
No dia seguinte vi a tua pequenina mão a agarrar o meu dedo, foi maravilhoso, foi feito com tanta força com tanta certeza que ias vencer! E como te estavam a lavar vi o teu rosto o teu corpo de uma outra perspectiva. Indescritível!

Dinis6A alta foi o cair ainda mais na realidade.... a minha barriga?! já não a tenho, o meu filho vai ficar e eu vou para casa.... a chegada a casa, o não conseguir olhar para nada que fosse teu... O peito doía muito, só queria poder voltar a colocar-te de novo na minha barriga, e mostrar a minha linda barriga, ver o seu crescimento! Tudo foi adiado, todos os planos por água abaixo. As dores eram muitas, mas o meu coração doía mais que tudo o resto.
Tudo me começa a irritar, as gravidas que se passeiam pelo hospital, as gravidas que tem hábitos de vida pouco saudáveis, muitos porquês até hoje sem resposta!
Os dias vão passando, nós sempre ao pé de ti o máximo de tempo possível, trocávamos a fralda, e isso fazia-nos sentir úteis, e próximos de ti.
Abriste os olhinhos no dia 4 de Abril!
No dia 6 de Abril foi um grande susto, estavas muito fraquinho, branquinho, tudo apitava constantemente, tinha de colocar a mão dentro da incubadora para te acordar! Por volta das 21h o cenário muda radicalmente e vais ter de deixar o CPAP e voltar ao ventilador. Ficamos cheio de medo, porque algo se tinha passado para estares assim. Tinhas uma infecção, que após medicação passou e voltas-te ao CPAP.
Começam a falar-nos que tens o canal arterial aberto, e eu não percebia nada. Ias fazer uma medicação que ajudava a fechar. Fizes-te 2 ciclos que não deram em nada, e o que se seguia era uma cirurgia. Ficamos cheios de medo, pois eras muito pequeno. Tinhas na altura 1,090kg. Era assustador, ver o saco com o sangue que ias levar, deixou-me estranha. Foste operado a uma 6ª feira dia 20 de Abril, muito tarde, já perto da meia noite. Era uma dor estranha, sabíamos que existe uma grande taxa de sucesso nestas cirurgias, mas, á sempre um mas.... um se... Fomos para a sala dos pais e não conseguimos falar, eu só via fotos tuas, não havia movimento nos corredores, a unidade estava fechada, nem sequer tínhamos a certeza se já tinha começado ou não, pois quando começaram a prepara a mesa, fomos aconselhados a sair. Estávamos muito tensos e isso não era bom. Esperamos.... a minha cabeça estava vazia, até que oDinis7 Dr. João vem ter connosco e diz "Já acabou e correu tudo bem". Foi um ufa. No meu caso não respirei de alivio, tinha muito medo do pós operatório.
Fomos ver-te, estavas anestesiado. Como ficas-te numa incubadora aberta foi a primeira vez que te consegui dar um beijinho na testa e a emoção tomou conta de mim. Acordas-te no dia seguinte devagarinho, estavas ventilado e já conseguia ver melhor a tua carinha!
Como estava tudo a correr bem, voltas-te ao CPAP, mas na 3ª feira o que temia aconteceu. Começam a perceber que tens a barriga muito destendida, estás muito molinho.... suspeitas de pneumonia, meningite. Caiu-me tudo aos pés de novo (mas porquê?!). Fizeram-te vários exames entre eles uma tentativa de PL, e tinham de te algaliar para recolher uma amostra de urina. Só pensava que mais te vai acontecer. Nesse dia não houve repostas, não havia resultados dos exames.... Na manhã seguinte também ainda não havia. Falavam numa possível pneumonia, até que nos dizem que afinal era um maldito bicho. Volta o medo, a insegurança... Eu não conseguia disfarçar já era quase um mês assim. Ouvia muito da parte das tias para ter calma, que não podia estar assim porque tu sentias, isso ainda me incomodava mais porque eu não conseguia evitar e disfarçar a minha dor, a minha tristeza!
Os conselhos são de facto os melhores mas.... não conseguia, eu não estava nem fui preparada o mínimo que fosse para ser mãe prematura. O cansaço tomava conta de mim a todos os níveis!
Ganhamos uma atitude defensiva, talvez. Ninguém podia olhar para dentro da tua casinha, ninguém. Era enervante ver outros pais olharem e comentarem "Oh tão pequenino... coitadinho", que nervos me dava!
No dia 28 de Abril, a tia começou a dar-nos a entender que podias deixar o CPAP, mas também não o queria tirar à nossa frente, porque podia ser uma falsa esperança, mas conseguimos convence-la que aguentávamos se não corresse como o suposto, era um teste :), e ela tirou. Pela 1ª vez, e passado um mês olhamos para ti sem Dinis8suporte respiratório, ficamos muito felizes, mas tinhamos a noção que provavelmente seria temporário. E foi, passado 2 dias voltas-te ao CPAP. Cansavaste muito, mas ficamos felizes por este progresso!
Nesse dia 30 de Abril o papá fez kanguru, foi muito animado mesmo pois as tias gostavam de brincar connosco, e o papá ficava sempre muito nervoso, então elas escondiam-se e o papá ficava assim meio inquieto. Era um viciado em máquinas... e acabaram por fazer uma grande sesta os dois.
Eu continuava a ter leitinho para ti, e já me sentia tua mamã de verdade. Desde o inicio que participávamos na tua higiene e nos teus cuidados, queriamos estar sempre a falar contigo e a tocar-te para sentires que estávamos ali contigo.
Vi muitos amiguinhos chegarem, e uma pequena Mariana que estava ao teu lado não ficou muitos dias era muito pequenina e perfeitinha, mas.... bolas é duro e desumano!
No dia 6 de Maio, dia da mãe, e ainda nos cuidados intensivo, mal conseguimos estar junto a ti, nasceram muitos amiguinhos, acabamos por estar contigo meia hora.
Nessa noite foste transferido para os cuidados intermédios....
É estranho quando chegamos e estás noutra sala, ficamos muito pegados ao inicio, as recordações. As tias são as mesmas e vinham ver-te mas era diferente, era tudo mais calmo, não havia tantas saidas, porque não havia os raio-x, não havia intervenções nos guerreirinhos, não havia a entrada de mais amiguinhos! Por vezes dava-me conta do que estava a acontecer na sala ao lado e aqueles senhores de batas verdes lutam contra o tempo literalmente... ufa que sufoco.
Aqui passo a poder estar mais vezes contigo ao colo, participo muito mais nos teus cuidados pois já estas francamente melhor, embora adores o teu amigo Blend, ás Dinis9vezes apanhava grandes sustos pois ficavas preguiçoso.
O papá já estava a trabalhar.... mas ia sempre ter connosco ao final do dia, a correr para estar contigo, trocar umas fraldas dar mimos, cantar, pois nós sempre cantámos muito para ti.
No dia 14 de Maio chego ao pé de ti, falo contigo como habitualmente... e derrepente olho novamente e já não tens o Blend, foi a tia que queria testar, pois tudo dava indicações que não seria mais necessário, e as tias tem poderes mágicos, elas advinham as coisas. Sim é verdade!
Foi tão bom, embora sabia que poderia voltar de novo, mesmo que fosse poucas horas valia a pena tentar.
No dia 16 de Maio ia aprender a dar-te banhoca, era a tia que ia ensinar a mãma. E a tia ensinou tão bem que perdi os medos todos que poderia ter. O facto de seres pequenino também ajudava a conseguir agarrar-te melhor (podes não acreditar mas é verdade).
No dia 18 de Maio passaste para berço. Já tinhas peso para isso, 1,850kg e estavas estável. Era tão giro ver-te finalmente num berço; deixavas a tua casinha quentinha.
No dia 19 de Maio, biberão.... ai que medo! Mas algum dia tinha de ser, pois começamos os treinos muito devagar e quem mandava eras tu. Portavas-te muito bem, quando sentias um possível engasgo, na maioria das vezes tratavas sozinho, muito inteligente o meu menino. Bebias 30ml no total. Bebeste uns 15 ml, muito bom, ficavas muito cansadinho.
No dia 24 de Maio, passaste para a pré saida. Ainda mais assustador foi, pois nós nunca achamos que estavas preparado para isso, pois para nós eras um guerreiro mas ainda eras muito pequeno. Coisas tontas e medos dos papás.
Ainda para mais não simpatizava com os pais que estavam naquela sala. Que dor de cabeça. Aí sim, sentia que estava muito mais afastada das tias.
No dia 25 de Maio, como estavas muito, muito cansadinho, tiveste de levar um "bife", e pela 1ª vez desde que nasceste, vejo-te uns minutos sem nada, sem tubos, zero. Eras só tu, ui que emoção.
Após o "bife" começaram a mentalizar-nos que a saída estaria próxima, e nós ansiosos com a tua vinda para casa; ja eram muitos dias, muito cansaço.
No dia 29 de Maio como comias muito bem, retiraram a sonda, e passaste a ficar só tu e o biberão. Como tudo correu lindamente, porque és um super guerreiro e sempre quiseste vencer, tiveste alta dia 31 de Maio.
A mamã quando foi a saída chorou baba e ranho, afinal foi ali que vivemos os 1º meses de vida, foi como se fosse lá pela primeira vez!
Mas a felicidade de te trazer para casa supera tudo.
Foi bom ver as tias a dizerem um até logo, são uma equipa fantástica, muitas delas estão no meu coração,foram um pilar para nós.


Dinis11Foram dias difíceis, horríveis com constantes momentos de aflição, a visualizar coisas horríveis que nós pais não deveríamos ver ou sentir!
Por vezes irritava-me falar com outros pais, pois parecia que concorriam com episódios dos filhos; o meu teve isto e aquilo e mais aquilo... Bolas quem me dera que o meu não tivesse nada, e depois parece que queriam dar a entender que os deles estavam sempre piores.... grrrr é estranho.
O momento mais feliz da vida de mãe e pai é tornado no mais horrendo, mais escuro!
Não poder pegar no nosso filho, tocar, falar sempre que queríamos, pois põe em risco a sobrevivência dele, e isso não é natural!
Ter de pedir á Sra. enfermeira: Posso pegar? E Ouvir um não! Ui quantas vezes fui a chorar para a casa de banho. Parecia que era filho da ciência e não meu. Também criei um segredo só nosso, pois as "tias" todas falavam contigo e chamavam, amor, príncipe, bebé, então eu chamava-te biscoitinho. Ninguém sabia que era assim, já sabias que era a mamã, só ela te chamava assim ;)

Não te consegui amamentar, não por falta de leite mas devido ao teu cansaço. Quando finalmente começaste a ter peso para comer "sozinho" acabei por ir perdendo o leitinho....
Só consegui ver o teu corpo livre de tubos sondas passados 63 dias... Foram 64 dias de luta constante, uma cicatriz e uma grande vitória tua! Tudo feito com o teu esforço.
Estar contigo em casa é maravilhoso! E com tudo o que me foi ensinado nunca tive medos nem receios, NUNCA.
Mas nunca me vou perdoar de te ter feito sofrer!


Após a alta dele, eu mãe, fiquei profundamente triste, angustiada e não tenho muita vontade de estar com ninguém, pois só dizem o que não quero ouvir, ou insistem que tenho de esquecer... mas porque tenho de esquecer o nascimento do meu filhote? Só porque não correu bem?! Não percebem a tristeza que tenho de não ter tido uma gravidez de 9 meses....
Enquanto o Dinis esteve internado eu fiz um diário, ajudava-me bastante a desabafar a chorar e aliviar aquela dor!
O pai mal fala do assunto, não consegue!

Dinis10Fotografias cedidas pelos pais do Dinis

 

"Nada é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar!"


Obrigada!


Carla Rita Santos

 

Ser Prematuro®  2007 - 2017                                                                                                                                              O autor agradece  a colaboração de todos os pais