Nascer antes do tempo!
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O Dinis nasceu em Março de 2012 com 26 semanas de gestação e com 1140 gramas de peso

 

 

 

Este é o testemunho da mãe do Dinis:

Começo com supostas contrações dia 22 de Março 2012 e vou para o hospital Beatriz Ângelo. As mesmas são confirmadas passado umas horas no hospital e informam-Dinis1me que vou ficar até a manhã seguinte em observação. Achei que era mais por precaução, mas já no quarto começo a ter umas perdas de sangue. Como o hospital não estava equipado para receber um bebé tão prematuro sou transferida para o Hospital de Santa Maria, deveriam ser 3 da manhã. Passo essa madrugada na sala de partos a levar medicação para acalmar as contrações e levo as injeções para a maturação dos pulmões. Não percebia bem o que se passava, e não me era também dito muita coisa... Como tudo acalmou vou à tarde para o internamento, com a possibilidade de ter de me manter por lá até pelo menos as 34 semanas. Fiquei assustada não percebia nada, estava tudo a correr tão bem, não havia contratempos anteriores.
Mas também ninguém me explicou muita coisa. Ás vezes penso que ainda bem... o desconhecimento as vezes pode evitar outras coisas. Tudo começa quando fui pela 2ª vez ao bloco de partos(27 de Março 2012, 19:00h), pensei: "Já não devo sair daqui com o meu bebé na barriga!"
E tudo fica muito estranho. Muitos médicos, muitos exames, o controlo exaustivo meu e teu. Uma noite inteira sem dormir, com a cabeça vazia, pois por mais historias que se ouçam sobre o assunto vivê-lo é algo inexplicável.
21 hora de trabalho de parto... contrações que teimavam em continuar, perdas de sangue que teimavam em não abrandar, mas tu meu filho estavas óptimo, e isso era o meu calmante...
Muitas entradas e saídas do papá, pois tinham de ver se estávamos bem.
Até que é confirmado que ias nascer "entre hoje e amanhã" (4 dedos de dilatação, e estavam a evitar um parto deprimido, o que para mim era algo assustador, porque na minha cabeça era nasceres apático e triste, mais tarde descubro que não tem nada haver...).
Mudamos de sala, e aí no fundo eu tinha uma réstia de esperança que tudo iria mudar e ias continuar mais tempo comigo, pois sabia que era muito cedo, mas não sabia que implicações teria. Tinha noção que possivelmente havia ventiladores, etc..., mas pouco mais.
Entretanto ja eram umas 15.30 talvez, e eu disse ao papá para ir comer algo, mas antes disso, disse para ele dar um beijinho na barriga e assim foi (não me perguntem porque, 6º sentido talvez) O papá, ao contrario de mim, despediu-se da minha barriga :( )
Mas passado pouco tempo, uns minutos, o pior e mais perigoso acontece. Começa uma hemorragia que me põe em grave risco de vida, descolamento de placenta, aDinis3 prioridade era eu só depois tu... Foi um pânico naquele piso, tudo corria, tudo falava muito, muito alto. Começava a perceber que não íamos continuar um só, começo a chorar e adormeceram-me. Tinha muito medo de te perder e se assim fosse, não queria acordar....
Mas acordei, a ouvir "Mãe, mãe o Dinis já nasceu" e um mega parabéns... Olhei para o lado esquerdo e vi uma incubadora aberta com um lençol com um pouco de sangue, olhei para o relógio e era 17h, e perguntei, "Ele está bem?" Ouvi um sim! Mas não te vi, não sei como nasceste, como eras, não senti o teu cheiro, nada, zerooo.....
Nasces-te com 26 semanas e 6 dias, no dia 28 de Março de 2012 ás 16:12 com 1,140kg e 36 cm. Foste de imediato para a unidade de cuidados intensivos... Passas-te a ser chamado de "bebé Antunes".
Mais uma mudança de sala e muitos médicos e enfermeiros. Tudo me picava, mal falavam comigo, e eu não tinha capacidades para perguntar muita coisa, sentia a cabeça à roda. A luz incomodava-me muito e não tinha capacidade de raciocionio!
O pai, pois o pai só sabia que havia algo a acontecer de muito vivê-lagrave, não lhe conseguiam dizer mais nada!
Finalmente o pai vem ter comigo e diz que está tudo bem.... Como podia estar tudo bem, está tudo mal, tudo muito mal!
Mostrou-me uma foto tua, muito pequeno muito magrinho, mas o papá só dizia "Ele é grande". Pouco falei com ele, disse-lhe que se não sobrevivesses não queria um funeral, queria que ajudasses outros a sobreviver. Não chorava, não ria... só rolava a cabeça para um lado e para o outro ....
Após verificarem que estava tudo bem, passei para o piso das mamãs, e tive de estar cerca de uma hora numa sala com 3 mães e 3 bebés que choravam e que elas davam peito e conforto. Tudo olhava para mim e começava a sentir-me irritada. Virei costas a todas, não queria estar ali com elas, que massacre, só queria dormir para o tempo passar rápido. Olhava para a foto no telemóvel, e pensava "já sou mãe" e sorria por dentro.
Dinis4Felizmente mudaram-me para um quarto com uma outra mãe que tinha o seu filhote nos cuidados intermédios.
Passado pouco tempo entra uma enfermeira que me diz para tentarmos tirar leite, eu fiquei super contente, pois nunca achei que fosse ter, devido a todo o que aconteceu. Lá fui eu arrastar-me ate à cadeira e foi-me explicado como funcionava a bomba etc... Pouco tempo fiquei ali, desmaiei, tinha feito uma cesariana à poucas horas, o corpo não aguentou.
Ia recebendo sms de parabéns e aquilo começava a enervar-me, "Porquê parabéns, do quê?!"
Queria muito ir ver-te mas não conseguia, ainda estava muito tonta e não me aguentava sequer sentada.
Só me foi possível ver-te, e a muito custo, passadas mais de 24 horas. E foi o choque total, eras magrinho cheio de peles e muito cabeludo. Viam-se as tuas veias, o teu tórax, a tua pele era tão imatura, que só podia tocar, não fazer festinhas porque fazia ferida. Lembro-me de ter varias enfermeiras proximas de mim, não me recordo quem eram. Muitas maquinas a apitar, muitos fios e tubos, indescritível. Uma dor insuportável tomou conta de mim, só perguntava porque porque é que um ser tão pequeno tem de lutar pela vida; não á direito.
A partir desse momento não quis mais saber de parabéns, parabéns do quê? Não atendi o telemóvel, não quis saber de nada. É difícil ouvir o, Se Deus quiser.... Deus?! Ele é forte! Tens de ter força! Qualquer dia já não te lembras! Não, não queria ouvir coisas sem sentido, não me acalmavam só me davam vontade de berrar com o mundo inteiro!

Começo a perceber que tinha medo de estar ao pé de ti sozinha, tinha medo que nos deixasses. Sabia porque tinha lido num livro, que levei para o quarto que os rapazes não são tão resistentes, talvez tenha medo de te amar.
A frase que mais me diziam era "mãe um dia de cada vez, temos de acreditar (mas esse acreditar era dito de uma forma estranha, como que acreditar sim, mas não fazer Dinis5planos a longo prazo)"
Passa a existir uma luta interior muito grande, onde todas as pessoas insistem em falar do futuro, que daqui a x tempo vai estar tudo bem.... isso só me irrita, porque as coisas não são assim, existem tantos riscos!
Na noite anterior à minha alta dia 30 de Março, o papá conseguiu convencer-me a ir ver-te sozinha. Eram 22h, tinha tanto medo, e lá fui eu pelas escadas ( não havia elevador). Entrei na unidade a morrer de medo, e estava a querida Enf. Patricia a cuidar de ti. Eu sempre com um ar muito apardalado olhava para ti, e ela disse "Temos meia hora de colo, até à troca de turno", mas na altura não percebi. Quando a vejo a tirar-te da incubadora e a passar-te para os meus braços, não queria acreditar. Eras tão leve, não abrias ainda os olhinhos, e as enfermeiras sorriam para mim. A Dra. Margarida Abrantes até comentou que quem me estava a dar colo eras tu!
Por fim deixam-nos sós, eu não me mexia só olhava para ti, tentava não chorar e estranhamente não sentia aquele, "é meu filho, é o meu filho". Não dizia isso a ninguém pois podiam achar que estava louca.
Acabei por estar contigo ao colo 45 minutos, foi francamente estranho, diferente do que tinha imaginado.
Mas fui dormir muito mais calma, pela 1ª vez desde que nasces-te eu consigo dormir.
No dia seguinte vi a tua pequenina mão a agarrar o meu dedo, foi maravilhoso, foi feito com tanta força com tanta certeza que ias vencer! E como te estavam a lavar vi o teu rosto o teu corpo de uma outra perspectiva. Indescritível!

Dinis6A alta foi o cair ainda mais na realidade.... a minha barriga?! já não a tenho, o meu filho vai ficar e eu vou para casa.... a chegada a casa, o não conseguir olhar para nada que fosse teu... O peito doía muito, só queria poder voltar a colocar-te de novo na minha barriga, e mostrar a minha linda barriga, ver o seu crescimento! Tudo foi adiado, todos os planos por água abaixo. As dores eram muitas, mas o meu coração doía mais que tudo o resto.
Tudo me começa a irritar, as gravidas que se passeiam pelo hospital, as gravidas que tem hábitos de vida pouco saudáveis, muitos porquês até hoje sem resposta!
Os dias vão passando, nós sempre ao pé de ti o máximo de tempo possível, trocávamos a fralda, e isso fazia-nos sentir úteis, e próximos de ti.
Abriste os olhinhos no dia 4 de Abril!
No dia 6 de Abril foi um grande susto, estavas muito fraquinho, branquinho, tudo apitava constantemente, tinha de colocar a mão dentro da incubadora para te acordar! Por volta das 21h o cenário muda radicalmente e vais ter de deixar o CPAP e voltar ao ventilador. Ficamos cheio de medo, porque algo se tinha passado para estares assim. Tinhas uma infecção, que após medicação passou e voltas-te ao CPAP.
Começam a falar-nos que tens o canal arterial aberto, e eu não percebia nada. Ias fazer uma medicação que ajudava a fechar. Fizes-te 2 ciclos que não deram em nada, e o que se seguia era uma cirurgia. Ficamos cheios de medo, pois eras muito pequeno. Tinhas na altura 1,090kg. Era assustador, ver o saco com o sangue que ias levar, deixou-me estranha. Foste operado a uma 6ª feira dia 20 de Abril, muito tarde, já perto da meia noite. Era uma dor estranha, sabíamos que existe uma grande taxa de sucesso nestas cirurgias, mas, á sempre um mas.... um se... Fomos para a sala dos pais e não conseguimos falar, eu só via fotos tuas, não havia movimento nos corredores, a unidade estava fechada, nem sequer tínhamos a certeza se já tinha começado ou não, pois quando começaram a prepara a mesa, fomos aconselhados a sair. Estávamos muito tensos e isso não era bom. Esperamos.... a minha cabeça estava vazia, até que oDinis7 Dr. João vem ter connosco e diz "Já acabou e correu tudo bem". Foi um ufa. No meu caso não respirei de alivio, tinha muito medo do pós operatório.
Fomos ver-te, estavas anestesiado. Como ficas-te numa incubadora aberta foi a primeira vez que te consegui dar um beijinho na testa e a emoção tomou conta de mim. Acordas-te no dia seguinte devagarinho, estavas ventilado e já conseguia ver melhor a tua carinha!
Como estava tudo a correr bem, voltas-te ao CPAP, mas na 3ª feira o que temia aconteceu. Começam a perceber que tens a barriga muito destendida, estás muito molinho.... suspeitas de pneumonia, meningite. Caiu-me tudo aos pés de novo (mas porquê?!). Fizeram-te vários exames entre eles uma tentativa de PL, e tinham de te algaliar para recolher uma amostra de urina. Só pensava que mais te vai acontecer. Nesse dia não houve repostas, não havia resultados dos exames.... Na manhã seguinte também ainda não havia. Falavam numa possível pneumonia, até que nos dizem que afinal era um maldito bicho. Volta o medo, a insegurança... Eu não conseguia disfarçar já era quase um mês assim. Ouvia muito da parte das tias para ter calma, que não podia estar assim porque tu sentias, isso ainda me incomodava mais porque eu não conseguia evitar e disfarçar a minha dor, a minha tristeza!
Os conselhos são de facto os melhores mas.... não conseguia, eu não estava nem fui preparada o mínimo que fosse para ser mãe prematura. O cansaço tomava conta de mim a todos os níveis!
Ganhamos uma atitude defensiva, talvez. Ninguém podia olhar para dentro da tua casinha, ninguém. Era enervante ver outros pais olharem e comentarem "Oh tão pequenino... coitadinho", que nervos me dava!
No dia 28 de Abril, a tia começou a dar-nos a entender que podias deixar o CPAP, mas também não o queria tirar à nossa frente, porque podia ser uma falsa esperança, mas conseguimos convence-la que aguentávamos se não corresse como o suposto, era um teste :), e ela tirou. Pela 1ª vez, e passado um mês olhamos para ti sem Dinis8suporte respiratório, ficamos muito felizes, mas tinhamos a noção que provavelmente seria temporário. E foi, passado 2 dias voltas-te ao CPAP. Cansavaste muito, mas ficamos felizes por este progresso!
Nesse dia 30 de Abril o papá fez kanguru, foi muito animado mesmo pois as tias gostavam de brincar connosco, e o papá ficava sempre muito nervoso, então elas escondiam-se e o papá ficava assim meio inquieto. Era um viciado em máquinas... e acabaram por fazer uma grande sesta os dois.
Eu continuava a ter leitinho para ti, e já me sentia tua mamã de verdade. Desde o inicio que participávamos na tua higiene e nos teus cuidados, queriamos estar sempre a falar contigo e a tocar-te para sentires que estávamos ali contigo.
Vi muitos amiguinhos chegarem, e uma pequena Mariana que estava ao teu lado não ficou muitos dias era muito pequenina e perfeitinha, mas.... bolas é duro e desumano!
No dia 6 de Maio, dia da mãe, e ainda nos cuidados intensivo, mal conseguimos estar junto a ti, nasceram muitos amiguinhos, acabamos por estar contigo meia hora.
Nessa noite foste transferido para os cuidados intermédios....
É estranho quando chegamos e estás noutra sala, ficamos muito pegados ao inicio, as recordações. As tias são as mesmas e vinham ver-te mas era diferente, era tudo mais calmo, não havia tantas saidas, porque não havia os raio-x, não havia intervenções nos guerreirinhos, não havia a entrada de mais amiguinhos! Por vezes dava-me conta do que estava a acontecer na sala ao lado e aqueles senhores de batas verdes lutam contra o tempo literalmente... ufa que sufoco.
Aqui passo a poder estar mais vezes contigo ao colo, participo muito mais nos teus cuidados pois já estas francamente melhor, embora adores o teu amigo Blend, ás Dinis9vezes apanhava grandes sustos pois ficavas preguiçoso.
O papá já estava a trabalhar.... mas ia sempre ter connosco ao final do dia, a correr para estar contigo, trocar umas fraldas dar mimos, cantar, pois nós sempre cantámos muito para ti.
No dia 14 de Maio chego ao pé de ti, falo contigo como habitualmente... e derrepente olho novamente e já não tens o Blend, foi a tia que queria testar, pois tudo dava indicações que não seria mais necessário, e as tias tem poderes mágicos, elas advinham as coisas. Sim é verdade!
Foi tão bom, embora sabia que poderia voltar de novo, mesmo que fosse poucas horas valia a pena tentar.
No dia 16 de Maio ia aprender a dar-te banhoca, era a tia que ia ensinar a mãma. E a tia ensinou tão bem que perdi os medos todos que poderia ter. O facto de seres pequenino também ajudava a conseguir agarrar-te melhor (podes não acreditar mas é verdade).
No dia 18 de Maio passaste para berço. Já tinhas peso para isso, 1,850kg e estavas estável. Era tão giro ver-te finalmente num berço; deixavas a tua casinha quentinha.
No dia 19 de Maio, biberão.... ai que medo! Mas algum dia tinha de ser, pois começamos os treinos muito devagar e quem mandava eras tu. Portavas-te muito bem, quando sentias um possível engasgo, na maioria das vezes tratavas sozinho, muito inteligente o meu menino. Bebias 30ml no total. Bebeste uns 15 ml, muito bom, ficavas muito cansadinho.
No dia 24 de Maio, passaste para a pré saida. Ainda mais assustador foi, pois nós nunca achamos que estavas preparado para isso, pois para nós eras um guerreiro mas ainda eras muito pequeno. Coisas tontas e medos dos papás.
Ainda para mais não simpatizava com os pais que estavam naquela sala. Que dor de cabeça. Aí sim, sentia que estava muito mais afastada das tias.
No dia 25 de Maio, como estavas muito, muito cansadinho, tiveste de levar um "bife", e pela 1ª vez desde que nasceste, vejo-te uns minutos sem nada, sem tubos, zero. Eras só tu, ui que emoção.
Após o "bife" começaram a mentalizar-nos que a saída estaria próxima, e nós ansiosos com a tua vinda para casa; ja eram muitos dias, muito cansaço.
No dia 29 de Maio como comias muito bem, retiraram a sonda, e passaste a ficar só tu e o biberão. Como tudo correu lindamente, porque és um super guerreiro e sempre quiseste vencer, tiveste alta dia 31 de Maio.
A mamã quando foi a saída chorou baba e ranho, afinal foi ali que vivemos os 1º meses de vida, foi como se fosse lá pela primeira vez!
Mas a felicidade de te trazer para casa supera tudo.
Foi bom ver as tias a dizerem um até logo, são uma equipa fantástica, muitas delas estão no meu coração,foram um pilar para nós.


Dinis11Foram dias difíceis, horríveis com constantes momentos de aflição, a visualizar coisas horríveis que nós pais não deveríamos ver ou sentir!
Por vezes irritava-me falar com outros pais, pois parecia que concorriam com episódios dos filhos; o meu teve isto e aquilo e mais aquilo... Bolas quem me dera que o meu não tivesse nada, e depois parece que queriam dar a entender que os deles estavam sempre piores.... grrrr é estranho.
O momento mais feliz da vida de mãe e pai é tornado no mais horrendo, mais escuro!
Não poder pegar no nosso filho, tocar, falar sempre que queríamos, pois põe em risco a sobrevivência dele, e isso não é natural!
Ter de pedir á Sra. enfermeira: Posso pegar? E Ouvir um não! Ui quantas vezes fui a chorar para a casa de banho. Parecia que era filho da ciência e não meu. Também criei um segredo só nosso, pois as "tias" todas falavam contigo e chamavam, amor, príncipe, bebé, então eu chamava-te biscoitinho. Ninguém sabia que era assim, já sabias que era a mamã, só ela te chamava assim ;)

Não te consegui amamentar, não por falta de leite mas devido ao teu cansaço. Quando finalmente começaste a ter peso para comer "sozinho" acabei por ir perdendo o leitinho....
Só consegui ver o teu corpo livre de tubos sondas passados 63 dias... Foram 64 dias de luta constante, uma cicatriz e uma grande vitória tua! Tudo feito com o teu esforço.
Estar contigo em casa é maravilhoso! E com tudo o que me foi ensinado nunca tive medos nem receios, NUNCA.
Mas nunca me vou perdoar de te ter feito sofrer!


Após a alta dele, eu mãe, fiquei profundamente triste, angustiada e não tenho muita vontade de estar com ninguém, pois só dizem o que não quero ouvir, ou insistem que tenho de esquecer... mas porque tenho de esquecer o nascimento do meu filhote? Só porque não correu bem?! Não percebem a tristeza que tenho de não ter tido uma gravidez de 9 meses....
Enquanto o Dinis esteve internado eu fiz um diário, ajudava-me bastante a desabafar a chorar e aliviar aquela dor!
O pai mal fala do assunto, não consegue!

Dinis10Fotografias cedidas pelos pais do Dinis

 

"Nada é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar!"


Obrigada!


Carla Rita Santos

 


Um dia de cada vez....

Olá!!! 
Eu sou o  Salvador, e como irmão mais velho, coube-me a mim contar a minha história e da minha irmã Joana.

Começamos a dar trabalho à nossa mamã quando às 23 semanas já queríamos conhecer o mundo, mas, teimosa como ela é, obrigou-nos a esperar até as 28 semanas sempre muito quietinha e a cumprir à risca todas as indicações médicas.

Foi então no dia 19 de Setembro de 2011 que a nossa luta começou...

Ás 17:09, com 946gr e 34cm, nasci eu. Um rapaz!!! Sim, porque malandro como sou, decidi esconder a minha pilinha até esse dia… 6 minutos depois, ás 17:15 nasceu a minha irmã, com 769gr e 32 cm.
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 A Joana (á esquerda) e o Salvador (á direita).

Éramos muito pequeninos e por isso precisávamos de ajuda para quase tudo. Tínhamos um tubo na boca por onde éramos alimentados, um tubo no nariz para respirarmos, e muitas coisinhas coladas no corpo. Estavam sempre a picar-nos. Eu precisei de "fazer luzinhas" e de ser ventilado porque os meus pulmões ainda não estavam preparados para trabalhar sozinhos. A minha irmã aguentou-se melhor e só precisou do CPAP, dizem que é por ser mulher… O que nos alegrava era que a mamã estava sempre por perto para nos dar força.

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Também fizemos algumas infecções e por isso tinhamos que estar muito protegidos na nossa “caixinha”.

 

 

 

 

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Finalmente chegou o dia em que pudemos ir para o colinho da mamã.

 

 

 

 

O coração dela batia tão depressa... devia estar muito feliz.

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Estamos a crescer muito devagarinho e aos poucos foram tirando alguns fios, já não picavam tantas vezes e pudemos tomar o nosso primeiro banhinho.
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Cada dia que passava bebíamos mais leitinho, já conseguíamos respirar alguns bocadinhos sem a ajuda do tubinho e estávamos a engordar, por isso tivemos uma surpresa, mudamos de quarto. Eu adorei a mudança, mais barulho, mais luz…  a Joana é que estranhou um bocadinho, mas agora eu já estava pertinho dela para a proteger. Também já podíamos andar mais vezes no colinho pois já não estávamos nas caixinhas e agora tínhamos uma caminha.

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Enquanto estivemos internados saímos no jornal “Correio do Minho” e no “Jornal de noticias”, participamos no Dia do Prematuro e fizemos uma sessão fotográfica para o Natal.

 

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No nosso quarto novo também tinhamos mais trabalho, tinhamos que beber o leitinho pelo biberão e é tão cansativo… A minha irmã tomava num instante, até se esquecia de respirar e por isso é que demorou muito tempo a largar o oxigénio, precisava dele sempre que tomava o leite. Eu já estava pronto para ir para casa à algum tempo mas não podia deixar a Joaninha sozinha.

Foi então, que passados 94 dias, no dia 23 de Dezembro nos mandaram para a nossa verdadeira casa para passarmos o Natal com a nossa família que tanto nos desejava conhecer.
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Desde que viemos para casa ainda pregamos algumas partidas a nossa mãe.

Fazemos Ginástica 3 vezes por semana e estamos a evoluir muito bem, a mamã ate diz que me mexo demais!!! A Joana é mais sossegada.

Aqui estamos nós agora… (tenho mesmo cara de malandro...)
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Fotografias cedidas pelos pais da Joana e do Salvador


Como não podia deixar de ser fomos comemorar o nosso 1ª aniversário com a nossa primeira família.

Muito obrigado a toda a equipa da Neonatologia do Hospital de Guimarães por tudo o que fizeram por nós ( já perdoamos as maldades).

Nunca vos esqueceremos…

 Joana e Salvador

 

 

Nascer duas vezes...
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Olá Papás!

 
Somos o Diogo e o João, gémeos verdadeiros, e nascemos na fantástica Maternidade do Hospital de Guimarães.Nascemos com 28 semanas, com pouco mais de 1100 grs cada e com 37 e 40 cm de comprimento.
Estivemos na UCIN durante 48 dias e não tinhamos bochechas, nadegas nem testiculos, somente umafina pele a cobrir os ossinhos do nosso corpo. Não gostavamos de sentir a luz forte nem ruído e nem que mexessem connosco pois ficavamos muito cansados devido ao nosso estado frágil.
A assustadora imensidão de máquinas, fios e tubos eram coisas que aterrorizavam os papás. Nós esqueciamo-nos de respirar e o coração quase que parava de quando em vez. Recebemos transfusões de sangue, tinhamos derrames cerebrais, hérnias umbilicais e nos testiculos e eramos alimentados por umas sondas fininhas que iam até ao estomago (orogástrica). Estivemos com ventilação durante sete dias e pouco a pouco começamos a respirar sozinhos.
Os papás ainda hoje nos dizem que a dor do desconhecido, de que algo nos acontecesse era de tal maneira aterradora que pareciam estar a viver o pior dos pesadelos. A mamã chorava muitas vezes no meio das incubadoras para que ninguém a visse, com a sensação de impotência, de tristeza e medo que nós nos sentissemos sós e por isso sempre que os enfermeiros permitiam ela desinfetava-se muito bem e colocava as mãos dentro da pequena incubadora e tocava-nos delicadamente, susurrando aquelas musicas de embalar que cantava quando estavamos na barriguinha dela.

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Quando passamos para os cuidados intermédios ela ficou a dormir lá todos os dias e logo de manhã dava-nos o banhinho matinal e nós ainda estavamos cheios de fios e mais fios. A pesagem era muito importante para ela, cada 10 ou 20 grs que ganhavamos era uma alegria só, pois era sinónimo de desenvolvimento e era mais um degrau que subiamos para chegar a nossa casa. 
 
Tivemos uma enfermeira que nos ensinou com 1.450grs a mamar na maminha e isso foi fantástico. Conseguimos fazê-lo até aos 12 meses. A mamã estava já muito cansada e a uma certa altura estava a perder o leite, então umas enfermeiras disseram-lhe " Mamã, tem que ir dormir a casa e descançar, vá namorar, passear, e depois volte", e assim foi. Ela chegou com muito mais leitinho e mais feliz e cdescontraida.
 
Depois já em casa e com nove meses ainda não nos sentavamos nem nos encostavamos sozinhos, e os papás pediram ajuda á Terapeuta Drª Ana de Paços de Ferreira. Dois meses depois estavamos já muito independentes, fizemos os três um belo esforço :-)
 
Estavamos a ser seguidos pelo Hospital Maria Pia em Cardiologia, e em finais de 2010 tivemos alta os dois. Agora com quase 3 anos, somos, graças a Deus, saudaveis e as hérnias, derrames, sopros desapareceram.
Ainda hoje os papás ficam com as lágrimas nos olhos quando falam sobre esses momentos tão assustadores, e apesar de já terem passado alguns anos, essas recordações ficaram muito gravadas na vida deles.
 
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Apesar da dor, os papás dizem que sentem "saudades", porque sentiram que nós eramos amados e eles muito acarinhados por aqueles médicos e enfermeiros. Aquelas pessoas vestidas de azul, que os confortaram nos piores momentos. Aquelas pessoas tão especiais, os nossos anjos, os nossos mágicos.
 
Aqueles que não têm noção do quanto ainda são importantes na nossa vida.Porque nós sofremos com o nosso inicio de vida, mas ser papás de bebés prematuros é ser também campeões, por nunca desistir apesar do medo, por nos confortar mesmo estando á espera de serem confortados, por ter vontade de gritar e berrar ao mundo a dor deles e calar e acarinhar-nos sem que transmitam a nós esses sentimentos.
 
Por isso papás de bebés como nós, chorem, alegrem-se, sintam medo. Tudo é natural, mas não se esquecam que nós pequeninos bebés somos fortes e sentimos-vos ao nosso lado, a amarem e a esperarem que fiquemos fortes o sufuciente para ir para casa com voçês.
  
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Os gémeos Diogo e João Leal
Os papás Felicidade e João Leal
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Um amor especial aos enfermeiros Paulo, Mónica, Fernando, Cátia, Jacinta.

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Fotografias cedidas pelos pais do Diogo e do João

Pequeno, Grande... Salvador

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O Salvador nasceu em Maio de 2011 com 34 Semanas de gestação e com 2344 gramas de peso

 

 

   

 

Este é o testemunho da mãe do Salvador:

Olá a todos!

salvador 2Passados 11 meses decidi finalmente partilhar a minha história. O meu nome é Sílvia Martinho, sou mãe de um prematuro de 34 semanas chamado Salvador.
Tive uma gravidez “santa”. Nunca enjoei, não tive grande sono, sempre bem disposta e só engordei 3kg.


Por volta das 27 semanas comecei a ser seguida no hospital do Alto do Ave porque tive diabetes gestacional. Na consulta das 29 semanas a médica ao examinar-me viu que o colo do útero estava curto e deu-me baixa de alta risco com repouso. Às 30 semanas fiz injectável para maturidade pulmonar do Salvador. Ia todas as semanas à consulta. Na consulta das 34 semanas a Dra internou-me por precaução porque o Salvador ainda não tinha dado a volta. Tinham receio que entra-se em trabalho de parto em casa.

 

No dia 23 de Maio, dia do internamento a médica disse para não me preocupar porque o salvador 3Salvador não ia nascer nesse dia, podia demorar 1, 2 ou mais semanas. Nesse mesmo dia após 2 horas de internamento o Salvador já queria nascer (e eu sem dores nenhuma). Fui internada às 14h30 e o Salvador nasceu de cesariana às 18h25 com 2,344kg e 44cm. Foi transferido para o serviço de Neonatologia por dificuldades respiratórias, levou uma transfusão de sangue nesse mesmo dia, esteve com CPAP nos cuidados intensivos 1 semana, depois foi para os cuidados intermédios 4 semanas. O salvador era muito imaturo e pensava que ainda estava dentro da minha barriga e fazia bradicardias. Tivemos 5 semanas de internamento.

 

Foram dias muito complicados. Não havia dia nenhum que não chora-se. Tinha uma tristeza profunda por ninguém conhecer o meu filho (só após 3 semanas de internamento é que autorizaram a entrada dos avós e irmãos dos bebés).
Fiquei sempre ao lado do meu filho 24 sob 24 horas. No começo só dormia 2 horas, depois passei a dormir 4 horas. Só ia a casa uma vez por semana, (numa corrida) buscar roupa e sempre sem querer ver ninguém. Cheguei a um ponto que me esquecia de tudo.


salvador 5Acabava de pesar e medir a temperatura do Salvador e, nesse mesmo instante vinha um enfermeiro e perguntava pelos valores e eu não os sabia dizer. Comecei a apontar tudo. Estava a ficar “senil”. Ficava fechada todo o dia e perdi completamente a noção do tempo. Nunca fui abaixo. Tinha que ser superior a isso tudo porque o meu filho precisava muito de mim. O ponto mais crítico era quando o meu marido ia embora (por volta das 24 horas), dava-me um ataque de choros porque pensava, somos uma família e estamos todos separados.


No dia 27 de Junho (sem contar) a Dra Clarinha chegou à minha beira e disse: Vamos ver este “ganfias” (era assim carinhosamente que ela o tratava) para esta mãe ir para casa que bem merece. Eu olhei para ela incrédula e ela rematou: sim o Salvador vai ter alta hoje. Foi uma felicidade total, chorei de alegria.
No tempo todo de internamento nunca perguntei a nenhum médico quando é que o Salvador ia para casa. Não queria criar falsas expectativas.
Hoje o Salvador tem 11 meses pesa 10,500kg e mede 74cm, é uma criança super bem-disposta e super feliz.

 

salvador 6Agradeço a todo o corpo clínico o apoio e carinho que nos deram. Um obrigado muito especial à Enfermeira Carla Peixoto e Enfermeira Mónica (amigas muito especiais) e à boa disposição do Enfermeiro Paulo, que bem tentou fazer com que o Salvador fosse benfiquista mas não conseguiu…

Fotografias cedidas pelos pais do Salvador

A Dor da Alegria


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O Virgílio nasceu em Fevereiro de 2009 com 23 semanas e 5 dias de gestação e com 480 gramas de peso.

 

 

 

 

 Este é o testemunho da mãe do Virgílio:

virgilio_2"Olá a todos,
Passados 2 anos, ganhei coragem e finalmente vou contar a História do meu Príncipe, que nasceu com 23 semanas.
Chamo-me Teresa Brandão, tenho uma filha com 10 anos que se chama Ana Sofia e o meu pequenino chama-se Virgílio.
A minha gravidez foi planeada, e antes de engravidar fiz todos os exames que deveria fazer, era seguida por um excelente médico (Dr. Lemos), já na primeira gravidez foi ele que me seguiu até ao fim e correu sempre tudo bem.
Quando fui à consulta pela 2ª vez (em 09/10/2008), o meu médico disse-me que estava tudo bem, mas tinha uma noticia para me dar. Eu fiquei um pouco assustada, então ele disse-me: «não tens um bebé, tens dois, são gémeos, mas estão os dois juntinhos na mesma placenta, são gémeos verdadeiros». Eu aovirgilio_4 ouvir fiquei sem palavras, mas depois fiquei super contente, porque eu sempre quis ter 3 filhos e Deus estava a concretizar o meu sonho.
 
Quando saí do consultório, liguei logo para o meu marido, e ele nem queria acreditar, ficou muito feliz. Correu sempre tudo bem, até meados de Novembro, quando comecei a ter hemorragias, o médico disse-me que eu tinha a placenta descolada e teria que ter repouso absoluto. Fiquei um mês e meio, mais ou menos, na cama sem me levantar para nada, só quando ia ás consultas é que me levantava. Os meus pais foram para minha casa para cuidarem de mim e da minha filha, pois o meu marido estava no estrangeiro, fizeram tudo por nós. Eu rezava todos os dias para que os meus meninos estivessem bem e para que corresse tudo bem. Antes uma semana do Natal, parou as hemorragias, já estava a placenta colada e os bebés estavam bem. Saí da cama mas, sem poder fazer esforços, tinha muito cuidado, era uma virgilio_3gravidez de alto risco.
No dia 01/02/2009, estava com os meus pais e a minha filha a jantar em casa, quando me deu uma grande vontade de ir á casa de banho (fazer um xixi), passados 10 minutos outra vez a mesma vontade, eu achei que não era normal liguei para a minha cunhada, para ir comigo ao médico, pois não estava bem.
 
A minha cunhada e o meu irmão vieram a correr, quando eu ao dirigir-me à porta, a bolsa da água rebentou. O meu irmão pegou-me ao colo e deitou-me na cama e o Virgílio nasceu logo, se eu não me tivesse deitado, o meu bebé caía ao chão. Ficamos todos muito assustados sem saber o que fazer. Liguei para o meu médico, e ele ficou sem palavras, depois perguntou-me se eu estava sozinha (porque ele sabia que o meu marido não estava cá). Eu disse que estava com a minha cunhada e com a minha mãe, ele disse para desinfectar uma tesoura com álcool, atar uma linha numa e noutra ponta do cordão e cortá-lo, a minha cunhada assim o fez, pegou no meu bebé e embrulhou-o numa mantinha. Depois o Dr. Lemos dissevirgilio_5 para a minha mãe aquecer mantinhas e cobri-lo para não perder a temperatura, e assim foi, sempre a aquecer mantinhas e embrulhar o meu pequenino. Ele era tão pequenino que ainda não tinha os olhinhos abertos, mas tão lindo. Ligava para o Inem e ninguém atendia, ligava para os bombeiros e nada, até que consegui falar com os bombeiros de Riba D’Ave.
 
Depois os bombeiros é que chamaram o médico do Inem.Nunca imaginei um bebé tão pequenino, fiquei com muito medo, porque quando chegou o médico do Inem, disse que era impossível o bebé sobreviver, só se preocupou comigo e com o bebé que estava ainda dentro de mim. Quando fui para a ambulância, o médico colocou o bigode nasal ao Virgílio e disse para eu ter calma, muita força e acima de tudo muita coragem, pois era a primeira vez que ele via um bebé tão pequenino a nascer em casa. Quando chegamos ao  Hospital de Guimarães, estava tudo á nossa espera, levaram o Virgílio para a Neo, o médico que me “socorreu”, dizia-me que não queria que eu sofresse mais, “mãezinha coragem, se precisar de alguma coisa é só dizer”, (excelentes profissionais), “o seu bebé é muito pequenino e muito sensível, passou por algo que nem eu sei descrever, por isso não sei se vai sobreviver, só Deus saberá, tenha fé”.
 
Tiraram-me o meu segundo bebé mas, infelizmente não resistiu. Que sofrimento meu Deus.
 
Quando fui para o quarto, tão triste, só pensava nos meus bebés, como iria ser daqui para a frente, será virgilio_6que o meu pequenino vai sobreviver? Ouvia os outros bebés a chorar ao lado de suas mães e eu não tinha ninguém para me consolar.
No dia seguinte, fui à Neo ver o meu menino, fiquei muito triste, quando vi o meu bebé cheio de fios e máquinas, e tão pequenino e indefeso que ele era, mas tão perfeitinho e tão lindo.

Conheci médicos e enfermeiros muito especiais, que me apoiaram e ajudaram sempre, nos bons e maus momentos, diziam-me sempre “oh mãezinha, tenha coragem, é um dia para a frente, 4 ou 5 dias para trás”.
 
 O Virgílio teve várias complicações durante a sua “estadia” na Neo, teve 2 meses com um ventilador, e 2vrgilio 7 dias precisou de um ventilador de alta frequência, no dia em que foi batizado.
 
Estava eu em casa e ligaram-me a dizer que o Virgílio tinha piorado e estava com um ventilador de alta frequência, provavelmente não aguentava até o dia seguinte. Eu fui logo para o Hospital para estar com ele, foi batizado, chorei tanto,... só pedia a Deus que o ajudasse a recuperar e que nunca o abandonasse. Fui embora tão triste, mas ao mesmo tempo pensava “não pode ser, Deus é tão grande que vai ajudar o meu menino”, e assim foi, de manhã quando voltei ao Hospital, o Virgílio tinha melhorado, ainda precisava do ventilador, mas, estava bem melhor.
 
Embora houvesse dias que o Virgílio estava pior, eu tinha sempre fé que ele iria melhorar, rezava muito e pedia-lhe para que ele aguentasse e resistisse a esta luta, ele parece que me ouvia e tinha muita força de viver.
 
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Os médicos diziam que o Virgílio teve tudo o que um prematuro “tem direito”, teve uma sépsis, uma hemorragia cerebral, uma hemorragia pulmonar, retinopatia da prematuridade... enfim tantas complicações, mas, graças a Deus VENCEU.
Hoje tem 2 anos, é um menino muito esperto, inteligente, saudável e muito activo.
Anda na terapia da fala (intervenção precoce de Famalicão, com a Dra. Luísa) e fisioterapia (na clinica Cuidar Mais em Riba D’Ave, com o Cristiano), são excelentes profissionais. Já anda aos pedacinhos sozinho e fala muito bem.

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Deixo uma mensagem de coragem para todos os pais que passam por situações semelhantes, “espero que tenham muita força e fé, pois Deus existe, cantem e mimem muito os vossos bebés, porque para além deles serem tão pequeninos, sentem que não estão sozinhos. Nunca desanimem, dai-lhes força para continuarem a lutar, pois se vocês estão tristes, os vossos filhos também estarão, sejam fortes e passem a vossa energia para os vossos filhos”.

Deixo um grande abraço, a todos os médicos e enfermeiros do Hospital de Guimarães, pois não há palavras para descrever o que fizeram por nós, são pessoas extraordinárias.
Muito obrigado por tudo
."

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Fotografias cedidas pelos pais do Virgílio

Ser Prematuro®  2007 - 2017                                                                                                                                              O autor agradece  a colaboração de todos os pais