"Um susto a dobrar"

 HUGO 1a

 

 

O Hugo (em cima) e a Mariana (em baixo) nasceram em Setembro  de  2002 com  26 semanas de gestação e 852  gramas  e  509  gramas  de  peso respectivamente

 

 

 

 

NANA a



 

Depois de um periodo de internamento de 3 meses (Hugo) e de 7 meses (Mariana) foram para casa

 

 

 

 

 .

 

 

Este é o testemunho da mãe do Hugo e da Mariana:

HUGO b"Tudo começou no dia 2 de Setembro de 2002 quando fui á MAC fazer a segunda morfológica acompanhada do meu marido. Na primeira estava tudo bem, embora a rapariga fosse mais pequena que o rapaz, pois já sabia que era um casal de gémeos.
Chamaram pelo meu nome e lá entramos nós a espera de boas noticias, mas não era isso que a eco mostrava, pois o médico apanhou o lado da Mariana, sim é esse o nome da minha guerreira, e a placenta estava a ficar velha e sem liquido. Então o médico disse-me muito friamente que eu tinha de ficar ali internada.
O céu desabou sobre as nossas cabeças e então lá me deram indicações para onde me devia dirigir.
Sai da MAC, precisava de chorar e telefonar a minha mãe. Liguei e contei-lhe o que se estava a passar e pedi-lhe que fala-se com  o meu médico do alentejo porque não queria ficar ali. Depois de muita conversa lá entrei, vesti a camisa de dormir que me deram e lá fiquei no corredor cerca de 2 horas á espera de um quarto. Depois de tanto esperar lá me levaram para aquela que seria a minha nova "casa", até quando só Deus sabia.
Como tenho familia em Lisboa o meu marido lá foi tratar da sua  estadia e  na hora da visita lánanab vinha ele a tentar consolar-me mas no fundo eu sabia que ele estava igual a mim ou pior ainda porque sabia que não podia ficar ali comigo pois tinha de voltar para o alentejo para ir trabalhar. E então no domingo dia 8 depois da visita da tarde lá partiu o meu marido e companheiro no expresso rumo ao alentejo. Quando chegou lá estava a minha mãe e a minha cunhada a espera para saber tudo o que se tinha realmente passado.
Mas, o tempo que ele ficou no alentejo não deu para aquecer, como se costuma dizer. Na 2ª feira logo pela manhã levantei-me, como era hábito, fui tomar banho e quando sai já o pequeno almoço estava na mesa, então sentei-me e fui comer, não  era que tivesse vontade porque durante toda a gravidez tive muita azia e não era capaz de comer. Cheguei o leite aos lábios mas não consegui, pois deu-me logo ansias e fui-me deitar outra vez. Mal me deitei comecei a sentir-me muito mal e a deixar de ver.
Pedi ajuda á moça que estava ao meu lado e ela coitada foi logo chamar a enfermeira que  me pôs logo debaixo da lingua um comprimido, pois tinha a tensão muito alta.
Logo desde o primeiro dia que fiquei internada, não sei se foi consequência disso, comecei a vomitar muito, coisa que nunca me tinha acontecido ao longo da gravidez.
HUGO cDe seguida a enfermeira foi comunicar ao médico o meu estado. Ele mandou-me ir buscar para me levarem a fazer a biocentese, e só depois de a ter feito é que assinei o termo de responsabilidade, sem sequer conseguir ver nada. O médico continuou e perguntou-me se eu ainda queria ir para Évora, ao que eu lhe disse: - Ai doutor, estou tão mal, não consigo ver nada; ao qual ele respondeu que ia já ser preparada para ser operada. Mas o meu estado era tal que nem liguei operação a cesariana...
Bem, lá fui outra vez, sempre  deitada como é obvio, até a porta do quarto onde tinha as minhas coisas e uma enfermeira, do melhor que pode existir, perguntou-me se queria  telefonar para alguém. E, mesmo sem ver nada, lá consegui a tacto ligar para o meu marido e dizer-lhe que se quize-se voltar, eu ia ser operada ás 16h, então que viesse no expresso que partia do alentejo a essa mesma hora e que chegava por volta das 19h. Pedi-lhe também que avisa-se a minha mãe que coitada vinha a caminho para me vir visitar. Quando chegou encontrou nos cuidados intensivos um monstro, porque segundo dizem, era o que eu parecia toda inchada, mas mesmo muito inchada. Não dá para imaginar, e eu que não via nada tenho uma vaga ideia de ter visto a minha mãe a chorar, deu-me um beijinho e saiu. Passado pouco tempo oiço o meu maridão a falar comigo, sim maridão e querem saber porquê?
Porque veio do alentejo mais a minha cunhada de carro sem nenhum dos dois ter a carta, imaginem para Lisboa sem carta....eu achei esquisito porque a cesariana estava marcada para as 16 horas e como é que ele já lá estava se eu ainda não tinha sido operada?!
Foi então que me contou como tinha sido, depois entrou a minha cunhada só para me dar um beijo e saiu. nana c
Por volta das 16h e pouco vieram-me buscar para o bloco operatorio. Chegada lá deram-me a epidural que eu não queria pois preferia geral mas não podia ser pois o meu estado não o permitia porque estava  a entrar em  coma e  poderia nunca mais acordar. Mas eu só queria era que tudo acaba-se muito rápido pois o sofrimento era muito.
Foi então de 26 semanas e ás 16:26 horas que nasceu o meu principe com 852 gr e ás 16:29 horas nasceu a minha boneca com 509 gr.
Na manhã seguinte uma enfermeira levou-me as fotos deles, pois eu permaneci nos cuidados intensivos até ao dia 11 de onde sai para o meu quarto depois de almoço. Na hora da visita lá estava o meu marido para me levar á sala 5 a conhecer os nossos herdeiros. Estava tão ciderada que quando os vi acheios perfeitamente normais. Não me pareceram que fossem mais pequenos do que os outros pois a medicação e os calmantes  eram muitos e só quando começaram a passar mais dias é que comece a inteirar-me da situação, mas não de tudo, pois o meu marido tentava descansar-me o mais que podia.
Foi então que no sábado dia 14 tive alta, sai mais o meu marido, fui ver os meus filhos e abalei para casa da minha prima. Na segunda feira abalei para o alentejo, precisava do colo da minha mãe, do carinho da minha cunhada e da força de todos aqueles que amo, embora também ame os meus filhos precisava de ser confortada por todos não esquecendo o meu irmão que no sitio onde estava não podia vir em meu auxilio e abraçar-me mas que me telefonava todos os dias. A hugo mariana bMariana era uma situação mais complicada que o irmão, teve muito tempo ventilada e com oxigenio, não falando já das 13 transfusoes de sangue que teve de levar enquanto que o irmão levou 9 e teve alta aos três meses ou seja faz de conta que saiu do hospital 2 dias depois de ter nascido. Já a Mariana teve na MAC  até  aos 4 meses, depois foi transferida para  Évora de onde teve alta aos 7 meses.
Passado tudo isto hoje posso pôr as mãos a Deus pois tenho aqui 2 reguilas que já fazem 6 anos dia 9 de setembro e que não ficaram com graves sequelas pois podia ter sido bem pior, e além do mais são tudo o que eu pedi, são perfeitos e normais.
Bem, esta foi a minha historia que tive o prazer de partilhar com todos voçês, não podendo deixar de agradecer a toda equipa que nos acompanhou ao longo desta etapa e que salvou os meus catraios.
Quero também deixar um grande obrigada a todos os que me apoiaram nesta hora tão complicada em que tudo parecia cinzento e depois o sol voltou a brilhar e que além de tudo me ensinaram a ter esperança, sim porque enquanto á vida á esperança e essa é sempre a última a morrer.
Beijinhos para todos e um muito especialmente para os meu herois e para o meu marido que sempre me deu força, mesmo só tendo na altura 18 anitos e eu 21.

    

Amo-vos, são a minha vida."

 

Hugo mariana a 

Hugo d Mariana d


Fotografias cedidas pelos pais do Hugo e da Mariana