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A Bia (esquerda) e o Lucas (direita) nasceram em Março de 2007 com 26 semanas de gestação e com 790 e 705 gramas de peso, respectivamente.

 

 

 

 

 

 

 

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A Bia e o Lucas com um mês de vida.

 

 

 


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A Bia e o Lucas quando deixaram os cuidados intensivos.

 

 


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Após um periodo de internamento de 3 meses a Bia e o Lucas foram para casa.

 

 

 

 

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Este é o testemunho da mãe da Bia e do Lucas:

lucas bia 1"A Bia e o Lucas nasceram no hospital de São Marcos no dia  20/03/2007 pelas 6.00 horas, a Bia com 790 gr o Lucas às 6.01 com 705 gr. Eles tinham um irmão, o Leo que nasceu as 6.04 com 810 gr. Nasceram  de 26  semanas e 4 dias. A cesariana  correu bem mas  quando subi para o quarto começou o pesadelo.

Os meus três pinguinhos de gente ficaram ventilados,um termo que para mim até então era completamente desconhecido e, em poucas horas de vida foi detectada uma infecção generalizada, uma sépsis, e estavam bastante  descompensados.

Inicialmente o Leo era o que se portava melhor. No 1 dia não deu grandes preocupações tal como o Irmão. A Bia era a grande preocupação, no 1 dia tinha um nível de infecção mais alto e tiveram que extuba–la e voltar a entubar algumas vezes. Segundo o pai a máquina apitou todo o dia. Tudo estava muito mal e eu no quarto sem poder vê–los.
O momento pelo qual esperei durante anos, o de ver a carinha dos meus meninos, não me deixaram ir lá cima, o que piorou ainda mais a situação. No dia seguinte acordo cedo e peço ao enfermeiro para ir vê–los. Quando chego perto eles, aqueles piolhos, não se via nada, só fios e tubos. Pedi para tocar–lhes e não aguentei chorei até não poder mais e os enfermeiros tiraram–me de lá.
Fui para o quarto e só conseguia ir vê–los com o pai, ele tinha que vir comigo, não tinha coragem. Tinha pavor que um dele falecesse, e que me contassem sem a presença do pai não sei qual seria a minha reacção.
Passou a 1 noite e tudo igual, mas o Leo durante a noite piorou e tiveram que aumentar a frequência do ventilador. No final da tarde do 2 dia a enfermeira vai ao quarto e pergunta se eu sou católica, se queria baptizar o Leo, pois achavam que ele não passava dessa noite. Então é que eu chorei, chorei tanto, até não ter mais lágrimas e quando consegui fui lá cima e baptizei os três.
Passou mais uma noite e ele resistiu, o Lucas deixou de urinar ficou super inchado tinha um problema nos rins devido a prematuridade. Então partiram para outros exames, fizeram uma eco á cabeça e o pior confirmou–se. A Bia tinha  uma  hemorragia de grau 4 na cabeça, o Lucas de grau 1 e o Leo de grau 3 mas apresentava uma atrofia cerebral.
Os dias foram passando, a Bia ao 4 dia foi para cpap e os rapazes continuaram ventilados. Domingo a Bia deixa o cpap, fizeram ecos ao coração e rins. Os 3 tinham uma artéria aberta, o Lucas e o Leo tinham uma colastase e para piorar a situação o Leo iniciou uma hemorragia pulmonar. Aumentaram ainda mais a frequência do ventilador, e mesmo assim ele não aguentava era preciso ir reanimá–lo, e novas infecções apareceram. A Bia iniciou uma medicação para fechar a artéria, mas os meninos não podiam fazer essa  medicação por causa  dos rins. A Bia fechou a artéria com a medicação e o Lucas foi operado na ucin porque não tinha  estabilidade  para ir ao  bloco. Veio  do  Porto  uma  equipe  para  operá–lo. Foi inédito no São Marcos. A cirurgia correu bem.
Foi operado com 13 dias e mais ou menos 600 gr, a nossa 1 vitoria. Mas foi sol de pouca dura, passados 2 dias o pior aconteceu, o Leo faleceu ás 00.30, pouco depois de sairmos de lá.
Nesse dia falei com um enfermeiro que estava lá que me perguntou se eu tinha noção da gravidade do problema que seria a  situação do Leo, eu disse que tinha. Ele perguntou se eu queria ter um filho com esses problemas, eu claro que disse que não mas se Deus quis  assim… e foi nessa noite que ele faleceu. Ainda hoje me pergunto se aquela conversa teve algum peso e me culpo por não ter dito naquela altura que eles  tinham que fazer tudo o que estivesse ao alcance.
Passados 15 dias do falecimento do irmão a Bia apanhou uma infecção hospitalar gravíssima e todos pensaram  que ela ia  pelo caminho do Leo. Ficou no isolamento por causa da infecção, voltou para o ventilador e ficou isolada 3 semanas.
Os dias passaram, os exames não traziam grandes melhoras e a nossa grande preocupação era a cabeça da  Bia. As  infecções e as apneias teimavam até que uns dias depois de ela ter saido do isolamento fez uma nova eco e era facto, a hemorragia tinha sido absorvida na totalidade e não tinha deixado nenhuma sequela visível no cérebro, ou seja, tudo indicava que ela estaria  bem a nível  neurológico uma vez que as imagens eram boas e ela era bastante viva e desperta.

Mais uma vitória!
Até que então conseguimos ouvir as palavras mágicas "A Bia e o Lucas estão na fase da engorda", acabaram as infecções e os ecos estavam boas. No dia 26/05/2007 saíram dos intensivos e passaram para os intermédios.
Nesse dia doíam–me as bochechas de tanto me rir. Todos diziam que eu parecia outra, não precisei de dizer a ninguém cá fora que  eles tinham saído dos intensivos, estava estampado na minha cara.
Tudo corria sobre rodas. Passado uma semana de estar nos intermédios passam a berço. Estamos a contar dias e a fazer apostas para saber se passam os anos do pai em casa, quando fazem o 2 exame de oftalmologia e descobrem que os dois têm retinopatia da prematuridade. A Bia passa a ser vigiada dia sim, dia não, para ver se ela consegue regredir sem ajuda e o Lucas tem que ser operado de urgência, isto numa 3 feira. Na 5 feira já está no Porto. Foi para o São João para ser operado, voltou para o ventilador porque portou–se mal durante a cirurgia. Passou o fim-de-semana e voltou na 2 feira. Quando chegou a Braga extubou–se sozinho e pregou um grande susto ao pessoal. A Bia conseguiu, não precisou de cirurgia.
Começou a tomar o leite pela tetina novamente e aqueles dias de fomeca do São  João fizeram com que ele aprendesse rápido. E finalmente no dia 22/06/2007 vieram para casa.
Nem é preciso dizer, todos os anos que perdi naqueles dias ganhei–os em dobro.

Estava radiante, tudo nesse dia era cor-de-rosa e azul. Melhor só se em vez de 2 trouxesse 3, mas Deus assim quis e por muito que custe tenho que admitir que foi melhor assim, uma criança doente não é uma criança feliz.
Hoje tenho os meus pequenos bem, saudáveis e a fazer todas as traquinices possíveis e imaginárias. Espero que este longo testemunho ajude alguém que esteja desesperado(a) porque se á uma coisa que eu aprendi foi que: enquanto tivermos fé nos nossos filhos eles conseguem vencer tudo, tudo mesmo."


Contacto da mãe da Bia e do Lucas: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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Fotografias cedidas pelos pais da Bia e do Lucas