O Herói da minha vida...

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O António Pedro nasceu em Maio de 2010 com 25 semanas de gestação e com 655 gramas de peso

 

 

 

 

Este é o testemunho dos pais do António Pedro:
"Já há muito que gostava de deixar-vos o meu testemunho…

a_pedro2Desde o início que não tive uma gravidez dita normal. Logo à sexta semana de gravidez comecei com sangramentos e foi-me diagnosticado descolamento de placenta. Fiquei, logicamente, de repouso absoluto, mas embora não fosse constante os sangramentos continuavam a aparecer.

Para agravar a situação recebo a notícia que o meu rastreio bioquímico tinha dado alterado para hipótese de deformação do tubo neural. Entrei em pânico só de imaginar que pudesse ter que tirar o meu bebé. Mas graças a Deus e após ecografia morfológica detalhada verificaram que de facto nada se passava com o meu bebé, mas estes valores alterados muitas vezes são indicadores de partos pré-termo. Foi nessa eco que ficamos a saber que era um rapazinho como tanto queríamos. Estávamos felicíssimos!!!

Continuei com o meu repouso, mas ainda com alguns sangramentos mas nada de muito grave. O cenário inverte-se quando passado um mês vou repetir a eco morfológica e detectam que quase não tinha líquido amniótico. Tive que automaticamente ser internada na Maternidade Júlio Dinis pois tinha ruptura das membranas.

Cada dia que lá passei demorava uma eternidade. Deixei de fazer carinhos à minha barriga, de falar com o meu filho….não me queria apegar mais a ele. Não sabia o que o futuro me reservava, pois o cenário que me pintavam era muito negro. Na altura só tinha 23 semanas de gestação.

Aguentei a muito custo quinze dias, mas no dia 12 de Maio comecei a sentir muitas contracções, os sangramentos passaram a ser algo indiscritívela_pedro3 e no dia 13 de Maio de 2010 fui para o bloco de urgência pois o meu filho estava já com o pé de fora.

E assim ele nasceu….com 25 semanas e 655 gramas. No primeiro dia não o fui ver porque como levei anestesia geral não me sentia capaz. O meu marido, sim esteve com ele desde o primeiro instante que o pode ver.

Tão pequenino tão indefeso!

Quando o vi no dia seguinte não entrei em choque como é habitual. Falei para ele, ainda lhe fiz um carinho. Estávamos animados porque apesar de tudo ele até estava bem. Não estava ventilado apenas tinha CPAP.

Recordo-me que quando regressei ao quarto, aí sim parei para pensar bem no que nos estava a acontecer e ….chorei desalmadamente como nunca tinha chorado na minha vida. Não tolerava o choro dos outros bebés…não aguentava ver a felicidade dos outros pais com os seus pequeninos junto deles. Pensei tantas vezes…que mal nós fizemos para merecer tal situação?

Finalmente, passado 3 dias tive alta…sentia-me um verdadeiro farrapo. Deixar o meu menino nos cuidados intensivos sem saber o dia de amanhã, sem saber quantos dias de inferno nos avizinhavam.

A partir daquele momento a Maternidade passou a ser a minha primeira casa, fui-me sentindo sempre acarinhada pelos profissionais que lá trabalham, fui fazendo amizades com outras mães que viviam a mesma triste realidade e fui seguindo dia após dia aquela luta interminável.

Passado uns dias ele passou para ventilação mecânica, pois já estava demasiado cansado, mas lá foi aguentando até que lhe colocaram em CPAP novamente.

Ficamos todos contentes…mas pouco durou esta alegria. A verdade é que começaram a surgir as infecções atrás de infecções, foi ventilado de novo. Eram transfusões constantes, era a medicação sempre a correr, eram as inúmeras picadelas diariamente…enfim! Íamos perguntando sobre o seu estado e nunca havia muito a dizer…tudo dependia dele!

Chegou uma altura que a ventilação mecânica convencional já não estava a surtir efeito e tiveram que o passar para a ventilação de alta frequência que consistia na última esperança possível.

Passava os dias com um tubo do nariz até aos pulmões sempre em estado vibratório. É indiscritível o que estes anjos sofrem.

Eu comecei a entrar num estado psicológico muito complicado. Não largava o tlm em casa com medo que me ligassem da Maternidade. De manhã quando entrava na unidade de cuidados intensivos tremia tanto com medo do que iria encontrar.Não aguentava já o barulho daquelas máquinas. Vi tantas vezes o meu filho a afundar-se à minha frente…Mas ele lá ia revertendo a situação. O herói da minha vida lutou como um homem grande.

Deixei de fazer perguntas aos médicos…tinha horror do que me poderiam dizer e limitava-me a passar o dia com o meu filho com um ar tão sereno como se nada se passasse.

A verdade é que no dia 13 de Julho quando cheguei o meu menino tinha-se extubado e os médicos deram-lhe a oportunidade de mostrar que, realmente, já não precisava de ventiladore foi assim que ele foi melhorando. Aos poucos deixou de precisar tanto de ajuda de oxigénio, começou a não ter infecções até que no dia 29 de Agosto deixou de vez o oxigénio e esperamos até hoje que nunca mais volte a precisar.

Dia 9 de Setembro a noticia mais esperada chegou…”O Pedrinho tem alta”

a_pedro4Passou a ser um misto de felicidade e de extremo medo…Seriamos nós capazes de reconhecer algum sinal de alerta caso ele não estivesse bem. Como seria sem a ajuda das máquinas???

Mas a vida é mesmo assim…um desafio e o importante sim era recuperar todo o tempo perdido. Dar-lhe conforto na sua verdadeira casa e mais amor do aquele que sempre lhe demos.

Até há data graças a Deus o Pedrinho está bem, sempre com muitas precauções mas somos tão felizes os 3 juntos.

O Pedrinho tem uma personalidade muito forte...é um amor. Acho que sermos pais de um prematuro extremo torna-nos pais diferentes. E não me perguntei porquê, mas quem passou pelo mesmo saberá sem dúvida do que estou a falar...

Por incrivel que pareça sinto tantas vezes nostalgia do tempo que lá passamos…não pela situação complicada de saúde do meu filho,lógico, mas pelas maravilhosas pessoas que tive oportunidade de conhecer. Pessoas essas que cuidaram dele com toda a dedicação, substituiram-me tantas vezes dando-lhe o colinho, o miminho que ele tanto queria. Não haverá nunca nada que pague a gratidão que tenho por essas pessoas…

Um obrigado muito sentido e do tamanho do mundo para a equipe fantástica da neonatologia da Maternidade Júlio Dinis.

Um agradecimento muito pessoal ao Dr Alegria por o ter recebido, por lhe ter prestado logo todos os cuidados e pelo carinho que sempre demonstrou sentir pelo meu Pedrinho.

Outro agradecimento do tamanho do mundo à Dra Elisa que sempre acreditou nele, nunca cruzou os braços e fez dele o que está à vista de todos.

 Com muito muito carinho… com muita muita gratidão,

 

Verónica e Pedro (Pais do Pedrinho)"

 

 
(Actualização - Novembro 2012)
Olá Amigos,

pedro_5 640x480Após ter partilhado convosco a angústia inexplicável que foi a luta de sobrevivência do nosso filho, venho hoje relatar uma pequena amostra da maravilhosa e incrível caminhada do Pedrinho.

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É muito difícil descrever a alegria que sentimos cada dia pela percepção do crescimento constante do nosso lutador. Ele é, sem dúvida, fenomenal e o orgulho que sentimos por ele é infindável! Apesar da sua restrição de crescimento por não gostar muito de se alimentar, tem vindo a desenvolver-se de forma proporcionada e muito harmoniosa, mas ele surpreende-nos mesmo é a nível cognitivo. Digo-vos que o Pedrinho sabe várias cores, sabe todas as vogais e algumas consoantes, adora os números, sabe contar até 10 sem problema algum, constrói frases perfeitas,pedro_4 640x480 reconhece símbolos e associa a palavras específicas… enfim… ele é mágico!

Adora brincar com legos, com puzzles, trabalha bem a motricidade fina, gosta de pintar e ama, logicamente, ver os seus desenhos animados preferidos. Depois de tanto chorar, depois de tanta angústia, depois de tanto medo quanto ao futuro incerto do nosso menino, vejo hoje que ele não é uma criança normal é super normal… super amoroso… uma criança traquina, engraçada e extremamente perspicaz. Por isto tudo e muito mais agradeço todos os dias a Deus a oportunidade que nos foi concedida, a lição que hoje em dia conseguimos captar e as pessoas melhores em que nos tornamos…

 
 

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Força Pais, muita força para quem está a sofrer neste momento… estou sempre aqui para uma palavra de esperança, uma palavra de incentivo. Vejam o exemplo do meu filho e vejam como tudo é possível e o Pedrinho foi um caso muito, muito, muito complicado!!!!!!!!!!!!

 Os vossos filhos daqui a nada estarão convosco e viverão como nós esta alegria constante. Deus vos proteja!

Obrigado a todos os médicos e enfermeiros que continuam nas nossas vidas a cuidarem do nosso Pedrinho.

Um pedido especial de Natal. Que Deus lhe dê muita saúde e que veja sempre naquele rosto lindo aquele sorriso maravilhoso de felicidade, para nós é a única prenda de Natal possível. Peço o mesmo pelos meninos que passaram e passam ainda o mesmo que o meu guerreiro passou!!!!!!!!!

Muito obrigado por este cantinho acolhedor que nos acalma a alma!

 

Beijos emocionados dos Pais do Pedrinho

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Fotografias cedidas pelos pais do Pedro