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A Valentina nasceu em Julho de 2007  com 28 Semanas de gestação e com 470 gramas de peso

 

 

 

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A Valentina no dia da Alta Hospitalar após cerca de 6 meses de internamento.

 

 

 

 

 Este é o testemunho da mãe da Valentina:
valentina_2"Eu e meu esposo resolvemos ter um filho no inicio de 2006, após um episódio traumático da perda de meu pai. Porém, quando fui fazer a ultrasonografia morfológica descobri que o feto estava sem vida, fui submetida a uma curetagem, foi muito triste, pois queríamos tanto aquele bebé.

Passados alguns meses queríamos tentar novamente e como não engravidei logo, o médico me receitou um remédio estimulador de ovulação e no mesmo mês engravidei e para nossa felicidade de gêmeos. Porem logo que foi feita a primeira ultrasonografia o medico nos avisou que um dos bebés não estava crescendo e possivelmente na próxima ultrasonografia não iria acusar mais o mesmo.

Na segunda ultrasonografia como o previsto somente acusou um bebé. Mas, como já estávamos preparados para isso, estávamos radiantes de felicidade pela criança que viria.


Tudo ia muito bem, até que na ultrasonografia para ver o sexo do bebé apareceu que não estava ganhando peso. Passou o tempo, o bebé menor que o normal, mas como o resto parecia bem, e o médico nos disse que iria nascer com menos peso que os outros, mas bem, não estávamos tão preocupados.

Porem, no dia 26/07/2007 voltei do trabalho ás 18h30 e como não havia me sentido bem durante o dia todo resolvi tomar um banho e ir deitar. Logo que me deite e me mexi na cama levei um susto, pois estava tendo uma grande hemorragia. Naquele momento fiquei tão desesperada que não sabia quem chamar para me socorrer, pois o meu marido estava trabalhando até mais tarde naquele dia. A única pessoa que consegui achar o telefone foi meu irmão que veio tão rápido, não sei como, e me levou para o hospital. Lá chegando ligaram para o meu médico que por azar estava em férias, mas estaria voltando de viajem aquela noite. Consultaram-me e viram que não havia dilatação, ficamos mais tranqüilos, pois o bebé não iria nascer e seus batimentos estavam normais.

No outro dia, 27/07/2007, pela manhã meu médico veio e marcou uma ultrasonografia com Doppler, após a mesma ser feita ele veio com resultado e nos disse que amanhã pela manhã, 28/08/2007, iríamos fazer uma cesárea de emergência, pois o bebé não estava ganhando peso pelo contrario estava começando a perder, e se não fizéssemos a cesárea ela morreria e deveríamos dar uma chance de viver, mesmo que fosse quase impossível, pois era muito pequena. Acho que foi a pior noite da minha vida, pois cada hora vinham escutar o coraçãozinho e sempre estava lá forte e em poucas horas poderia não estar mais batendo.

Então as 11:00 horas do dia 28/07/2007 veio ao mundo minha pequena Valentina, nome escolhido em razão da situação em que a mesma se encontrava, nasceu com 28 semanas de gestação, pesando 470 gramas e media 24 centímetros. Fui para a sala de recuperação sem saber se ela estava viva, pois não nos deram esperanças. Só soube que estava viva quando fui para o quarto e meu marido me trouxe uma foto dela.

Assim que pude fui vê-la. Quando cheguei perto da incubadora em que ela estava tive um choque, pois não imaginava que era tão pequena. Mas, no mesmo momento tive certeza que ela iria para casa comigo.

Tive alta e que tristeza ir para casa e não levar o bebé. Então mesmo contra indicacão médica no quinto dia depois dela nascer já dirigia, subia e descia as escadas, pois não conseguia ficar em casa longe do meu bebé.

Cada vez que encontrava o pediatra ele me dizia cada dia era um dia não podemos dar previsões, e poderá ter seria seqüelas. Pois ela era muito pequena e aqui em Erechim – RS nem um bebé com esse peso sobreviveu.

Os dias foram passando e a Valentina sempre forte superando tudo, pneumonias que quase a mataram, uma infecção muito forte e até uma retinopatia da prematuridade, a qual nos falaram que se não operássemos logo a deixaria cega. O que fazer, pois na cidade ninguém fazia esta operação e o pediatra so liberaria se fossemos de avião com UTI móvel. Pois, conseguimos o tal avião e lá fomos nos duas no dia 12/10/2007 para POA fazer a cirurgia. Antes de ir as enfermeiras nos deixaram pegar ela no colo, acho que tinham medo assim como nós que ela não iria agüentar a viagem, foi tão maravilhoso poder beijar ela e sentir o seu cheiro.
 Já, la em POA vivi uma experiência maravilhosa, pois ate o momento ela estava entubada e chegando la tiraram ela do oxigênio e eu a vi chorar pela primeira vez, quanta emoção. Passados três dias e voltamos, e ela estava muito bem, depois desta cirurgia ela só precisava ganhar peso.

Que susto quando me ligaram do hospital para dizer que deveria fazer a minha mala e a dela, pois passaria alguns dias na UTI para adaptação com ela. Quanta felicidade quando cheguei la e ela estava
me esperando numa incubadora dentro do quarto da UTI, mas a partir daquele momento ficaria sobre minha responsabilidade.
Foram quase trinta dias de adaptação, acho que virei um pouco enfermeira, abandonei minha casa, minha família e meu trabalho. Nossa quanta felicidade quando no dia 13/12/2007 o pediatra disse que nos daríamos alta. Teve ate festa no hospital, pois ninguém estava imaginado que isso poderia acontecer. Foi o dia mais feliz de nossas vidas.

A minha princesa veio para casa, com sonda para alimentacao, pois não tinha forca para sugar. No outro dia que decepção, quando fui valentina_5alimentá-la a sonda trancou e tivemos que voltar para o hospital para trocar e durante esta troca foi leite para os pulmões, fazendo uma pneumonia por sucção. Que desespero e tristeza quando a pneumo-pediatra nos disse que teríamos que ficar lá por 7 dias.
Passado os 7 dias fomos para casa com a tal sonda, após 15 dias fui ao seu pediatra para pedir que tirasse a mesma que eu iria ensinar ela tomar mamadeira. Conseguimos. Mais uma vitoria.

Hoje a minha Valentina, que passou tantas, que quase ninguém acreditava na sua vitoria esta com 1 ano e 11 meses. Tem 6,5 kg e 72 centímetros. O seu peso ainda nos preocupa. Mas o pediatra nos diz que é normal por tudo o que passou e o que importa e que ela esta bem. Já esta caminando, sem nem uma seqüela, já esta chamando o papai e a tia. A mãe ela não precisa chamar, pois esta sempre com ela. Ela e tão linda. E a razão de nossas vidas.

Não voltei a trabalhar. Os meus dias são para ela. Tenho ate ciúmes quando as pessoas querem pega-la. Sou fascinada por ela. O pai então todo babão. Ela é a coisa mais importante de nossas vidas.

Hoje o que eu posso fazer e agradecer. Agradecer a equipe de enfermagem que foram como mães para ela, ao pediatra que é um segundo pai e sempre esteve conosco nos momentos mais difíceis, ao obstetra que soube fazer a coisa certa na hora certa, a todos os familiares e amigos que rezaram e torceram por nos, ao papai da Valentina que sempre esteve ao meu lado e que mesmo sofrendo muito me apoio em todos os momentos, a Deus que eu pedi tanto para deixar ela comigo e a pequena Valentina que lutou tanto, pois eu pedi que ela lutasse para ficar comigo, pois eu tinha e tenho tanto a oferecer a ela.


Hoje a ela eu posso dizer:


“Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você
E não ha nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você
Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor, nem mais bonito
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você
Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você
Mas como é grande o meu amor por você.”


E a todos que estão passando por este momento eu posso dizer tenham esperança, acreditem e nunca, mas nunca mesmo deixem que esses pequenos os vejam chorar ou tristes, pois tudo passa para eles. E jamais pensem em desistir."

 

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A Valentina com 1 ano e 7 meses



                                                                                  Fotografias cedidas pelos pais da Valentina